Eventos

Eventos Os eventos de vinho multiplicam-se como cogumelos.
De início achámos que não fazia sentido fazer uma secção especial só para eventos, pois eram tão poucos que não o justificava.
No entanto, o tempo veio-nos mostrar que estávamos errados. Agora são tantos que só nos falta é tempo (e paciência) para ir a todos.
Por isso, além de criar uma secção para os nossos relatos dos eventos em que participamos, movemos para aqui todos os relatos anteriormente publicados na parte do blog.

#PortDay ao Rubro

#PortDay ao RubroComo a Ema tinha aqui dito, juntámo-nos aos Desafios da Adega e ao Adegga no restaurante Rubro do Campo Pequeno para celebrar o Dia Internacional do Vinho do Porto, #PortDay para os amigos. A i-enofilia, ou w-blogosfera (ou o que lhe quiserem chamar) estava ainda representada pelo Pingus Vinicus, pelo Carlos Janeiro e pelo Chris Metcalfe.
Para os que gostariam de estar presentes e não puderam, não faltou uma transmissão em directo pela Internet, ou não estivesse a sala cheia de malta tecnológica. Certamente um horror para alguns, ver tantos gadgets juntos num jantar/convívio de vinhos.
A ideia era cada um levar uma garrafa, tirando o abusador do André Ribeirinho que levou 3 que andou a rapinar da adega do pai. Eu queria ter levado um Porto branco porque, como acabou por se confirmar, era pouco provável que alguém se lembrasse de levar um. O problema é que não íamos voltar a casa, pelo que a única forma de o manter fresco seria levar a garrafa para o frigorífico da empresa, o que poderia levar a ficar com (mais) fama de bêbado e arranjar um despedimento por justa causa.
Optei então por levar connosco uma garrafa de Warre’s LBV 2001, para ver se era tão bom como o 1995 de que tanto gostamos. A julgar pela velocidade com que desapareceu, não somos os únicos a achar que os LBVs da Warre’s são mesmo qualquer coisa...
Como podem ver pela lista aqui, havia muitos mais géneros de Vinhos do Porto presentes, que foram sendo casados (melhor ou pior) com queijos, enchidos, chocolates e até mesmo carne.
Só não tive coragem de provar um queijo que lá estava com cheiro pior do que qualquer par de peúgas, mas diz quem provou que casava bastante bem com os vintages.
Mais uma vez o nosso filhote (agora com 19 meses) acompanhou-nos e nem sequer era o mais novo presente. Temos é que nos preparar para daqui a uns anos ele fazer como o André e ir à garrafeira dos pais sacar umas garrafas para ir beber com os amigos.

Adega de Borba: visita e prova vertical

Adega de Borba: visita e prova vertical

Num belo sábado deste nosso frio Janeiro, e depois de passar a noite em Vila Viçosa, cheguei a Borba e dirigi-me directamente para a Adega de Borba, onde já estavam a Márcia Farinha e o Eng. Óscar Gato, o Director Técnico e de Enologia desta grande casa. Uma vez que o resto dos convidados se atrasou, tive a oportunidade de acompanhar ambos enquanto preparavam a prova vertical do Adega de Borba Rótulo de Cortiça (há quem diga que ajudei a provar, mas isso são acusações absolutamente infundadas).
Depois de 5 minutos de conversa, foi para mim evidente o enorme sentido pedagógico com que o Eng. Óscar versava sobre a Adega, as características das castas, as dificuldades mas ao mesmo tempo as vantagens de gerir 200 associados, cerca de 30 castas e 2200ha de vinha. Esta dimensão tem um impacto enorme na vindima: aqui, demora entre 7 a 8 semanas, com uma necessidade gigantesca de logística de vindima por casta, por viticultor, por zona geográfica, por capacidade de entrada na adega, por disponibilidade de armazenamento e um sem-número de outros pormenores que aqui são levados a um exponente ímpar.
A modernização já chegou a esta adega, onde existem equipamentos de análise, para apoio à decisão, únicos na Península Ibérica. Para além da participação activa na vindima, a Adega de Borba acompanha os seus viticultores ao longo de todo o ano, beneficiando a qualidade da produção e até mesmo influenciando - de acordo com as necessidades - o que pode ser privilegiado em cada área. Os números são impressionantes: 80ha de área de Touriga Nacional, 70ha de Syrah, 1000 barricas, 12000 metros quadrados de área na Adega, 57 anos de existência, 28 vinhos lançados no mercado entre 2002 e 2008, certificações ISO9001 e ISO22000, inúmeros prémios e um histórico invejável.
Depois de visitar a adega antiga - a que está activa - que incluiu a sala onde está a História do Adega de Borba Reserva Rótulo de Cortiça e onde também repousa o que se espera que seja o próximo expoente desta linha, passamos pelas linhas de produção (3, 6 e 9000 garrafas por hora, e uma adicional para bag-in-box de 3, 5 e 10 litros respectivamente), a sala limpa de enchimento de onde caem por efeito da gravidade as rolhas, o laboratório, a sala de evolução, o armazém e de volta à área administrativa. Durante todo o percurso, o Eng. Óscar Gato deu-nos uma verdadeira aula (fomentando o nosso próprio espírito crítico e inquisitivo) de como se pode lidar com várias ordens de grandeza acima da dimensão média dos produtores Portugueses, relativamente a tudo o que é possível e imaginário.
À nossa espera estava praticamente meio século do Adega de Borba Reserva Rótulo de Cortiça: 1964, 1977, 1982, 1994, 2008 e uma surpresa adicional. Antes disso, e para abrir as hostilidades, começamos por conhecer um muito bonito Rosé 2011 de Aragonês, com perfil seco, aromas florais e especialmente silvestres com frescura no ponto ideal. A gama Senses - uma aposta relativamente recente da Adega de Borba em monocastas - esteve também presente com o Senses Alvarinho 2010 (nariz tropical e boca de fruta branca, toque de baunilha e perfil seco), o Senses Verdelho que na realidade é Gouveio 2009 (nariz vegetal e floral, alguma fruta madura, frescura aceitável), o Senses Syrah 2010 (nariz vivo floral e mentolado com boca compotada e apimentada, boa frescura e doçura a meio tempo, provavelmente a precisar ainda de algum tempo de garrafa) e o Senses Touriga Nacional 2009 (nariz silvestre e frutado, uma enorme palete de aromas com toques de café e violetas, encorpado mas muito fácil de beber e que foi de longe o meu preferido - embora eu seja um fã assumido da Syrah - apesar dos seus 15%......).

No que diz respeito aos quase 50 anos do Adega de Borba Reserva Rótulo de Cortiça, a prova foi feita individualmente com uma discussão aberta:

Adega de Borba Reserva Rótulo de Cortiça 2008
Linda cor violeta, aromas vegetais e florais (violeta). Fresco e elegante, com especiarias (pimenta, cacau) e pimento verde. Persistência razoável, ainda com muitos anos para evoluir
Ricardo: 15

Adega de Borba Reserva Rótulo de Cortiça 1994
Nariz muito floral e vegetal, confirma a elegância do irmão mais novo com uma persistência e frescura bastante melhores.
Ricardo: 16

Adega de Borba Reserva Rótulo de Cortiça 1982
Nariz muito forte, cujos aromas florais e frutados dominam; enorme frescura e elegância acompanhados de uma excelente persistência.
Ricardo: 18

Adega de Borba Reserva Rótulo de Cortiça 1977
Aroma vegetal com toques de floresta, pimenta preta e especiarias, mantendo a elegância que caracteriza os irmãos mais novos.
Ricardo: 17

Adega de Borba Reserva Rótulo de Cortiça 1964
Tendo em conta a informação do rótulo, este terá sido uma segunda edição deste vinho. O nariz é evidentemente menos expressivo que os irmãos mas mantendo o perfil floral com sinais de óbvia evolução, com boca consistente e a mesma elegância. Com 48 anos, tem um excelente comportamento.
Ricardo: 16.5

Tivemos ainda o privilégio de provar uma amostra do que poderá vir a ser um Rótulo de Cortiça especial (?) 2009, actualmente a repousar no Tonel 6 - com 18 meses de estágio - e 14.5% de teor alcoólico. Ainda que seja uma amostra, já se reconhece o enorme potencial (vou tentar fazer uma encomenda "en primeur").

Esta prova vertical demonstra inequivocamente uma série de factos: é perfeitamente possível manter o perfil de excelência de um vinho durante um longo período de tempo (neste caso, quase 50 anos), mesmo não tendo o controle total das vinhas (porque são dos associados, embora aconselhados e acompanhados pela Adega de Borba); a quantidade não anda divorciada da qualidade, nem mesmo se tivermos em conta a enorme quantidade produzida em Borba e verifica-se no entanto uma diferenciação no grau alcoólico ao longo dos anos: (12.x% até 1982; 13.x% até hoje) ainda que o perfil se mantenha.

Depois da prova, passamos a um excelente almoço confeccionado e dirigido pel'A Cadeia Quinhentista (o restaurante fica precisamente na cadeia, no Castelo em Estremoz) onde foram servidos petiscos típicos alentejanos, cação com ameijoas e migas de batata, perdiz suada em azeite de borba e uma selecção de doces conventuais. Mesmo durante o almoço, o Eng. Óscar Gato desafiou-nos a analisar a combinação de vários vinhos com os petiscos, passando pelos Montes Claros (Reserva Branco e Garrafeira 2007), um licoroso com perfil de Tawny e para fechar a aguardente vínica.

Durante o resto da tarde - que já ia longa - visitamos ainda a novíssima Adega, que está praticamente pronta e que representa uma enorme aposta no crescimento da Adega de Borba, aumentando a capacidade de recepção, processamento e armazenamento de vinho para uma dimensão que - como se a actual não fosse considerável - é impressionante. Nesta Adega, sabe-se trabalhar no dia-a-dia, pensar os investimentos atempadamente e preparar o crescimento futuro com as condições adequadas. A Adega de Borba está de parabéns não só pelo percurso, pelas provas dadas desde 1955, mas também pela aposta contínua em melhorar o que existe - que por si é já de um elevado nível de qualidade.

Adegga Wine Market 2011

Adegga Wine Market 2011O Adegga Wine Market é um evento que já vai na terceira edição, e eu só não tive a oportunidade de estar na primeira. Organizado pela equipa do Adegga, é um evento onde se pode provar vinhos, conversar de forma descontraída com os produtores e enólogos, e acabar a comprar alguns desses vinhos a preços interessantes.

Como se pode ler no artigo do Nuno sobre o AWM2011, este ano apareceu uma novidade interessante: uma Sala Premium, onde tive a oportunidade de provar alguns vinhos topo de gama e alguns Vinhos do Porto antigos. A lógica do evento prevaleceu nesta sala, com a liberdade de se provar qualquer vinho na ordem que se entendesse; no entanto o Manuel Moreira (o escanção que coordenou a Sala Premium) fez um excelente trabalho de apoio e orientação dos presentes. Estive com o Nuno, a Ema e o Elias Macovela logo na primeira sessão da Sala Premium, que começou ligeiramente atrasada e que infelizmente - pelo menos naquela altura - foi caracterizada pela temperatura ligeiramente elevada dos vinhos (notou-se especialmente em alguns Vinhos do Porto).
Aceitei a sugestão do Manuel Moreira para começar pelos Tintos (todos eles de elevadíssima qualidade), e realço a vertical de Robustus da Niepoort (já tinha provado o 2004 e 2005) em particular o 1990! Passando para os Vinhos do Porto, seria injusto dizer que destaco um em particular, excepto se for o Ferreira Vintage 1863 (148 anos!!!!!), mas não posso deixar de os referir: Colheitas de 1976 (o meu ano) da Niepoort e Poças; o Villar d'Allen 20 anos (uma absoluta raridade); os Graham's 1969 e 1970; o Agrellos 40 anos e, claro, o Ferreira Vintage 1863.
Depois desta amostra ímpar, voltei à zona comum e passeei-me pelos vários produtores até que começasse uma "Wine Walk" organizado entre o Paulo Coutinho (Enólogo na Quinta do Portal), o Hugo Mendes (Quinta da Murta) e vários Bloggers que garantidamente não vou referir na totalidade porque não anotei, e a memória já não é o que era (Francisco Soares, Pedro Brás, o "Pingus Vinicus", Miguel Ângelo Pereira e Ricardo Bernardo), guiados pelo Carlos Janeiro, com o tema "Novidades", sempre de diferentes regiões. Começamos pelo Ninfa, um espumante Pinot Noir do Tejo (2008+2009); o Verdelho Alentejano do Esporão; Encruzado 2009 da Quinta dos Carvalhais - Dão (obrigado Eng. Manuel Vieira); Herdade do Portocarro 2008 do Sado; Quinta de Foz de Arouce Vinhas Velhas de Santa Maria 2007 das Beiras (um grande vinho), e Quinta do Pôpa.

Em resumo: durante a tarde, provei Vinhos de topo, Vinhos do Porto muito raros, conheci e conversei com produtores e enólogos, e consegui participar numa actividade que não foi criada pela organização (o que é por si só revelador da liberdade que nos é dada durante todo o evento). Definitivamente, estou muito satisfeito com a organização e toda a experiência. Sou um cliente satisfeito, que pretende voltar no próximo ano.

Degustação de Vinhos Italianos - La Fattoria

Degustação de Vinhos Italianos - La FattoriaNo passado mês de Outubro, tivemos o prazer de ser convidados para um evento fantástico que decorreu na Embaixada de Itália em Lisboa. Tratou-se de uma degustação de vinhos italianos de prestígio apresentados por La Fattoria.
La Fattoria é uma empresa que representa e comercializa vinhos de qualidade superior de produtores italianos das diversas regiões vitivinícolas. Já por várias vezes nos cruzámos com esta empresa em eventos e provas de vinhos e, sem dúvida, todos os vinhos que provámos são de excelente qualidade.
Desta vez surpreenderam totalmente com um evento requintado, super bem organizado e no melhor local possível. Que melhor seria do que dar a conhecer produtores italianos em território de Itália em Portugal?
Na recepção só entravam pessoas com convite, às quais era fornecido copo, lista de produtores presentes, bloco de notas e esferográfica. A partir daí era percorrer as maravilhosas salas da embaixada repletas de arte, degustar os diversos vinhos à prova, na sua maioria apresentados pelo próprio produtor e, ainda, outros produtos italianos de grande qualidade. Fizemo-lo os três juntos, ao nosso ritmo de forma a aproveitar ao máximo esta oportunidade.
Todos os vinhos eram muito diferentes, evidenciando uma identidade própria pelo uso de castas típicas de cada região e, a maioria, com uma grande capacidade de envelhecimento em garrafa. Durante toda a prova foi possível degustar algumas iguarias italianas que casavam lindamente com os vinhos.
O que mais nos surpreendeu foi verificar que alguns vinhos que estão agora a ser lançados no mercado já têm alguns anos. Exemplo disso foi um Barolo fantástico de 2001 que tivemos oportunidade de provar e que parecia um vinho novo com capacidade para vir a melhorar com mais tempo em garrafa. Ficámos felizes por saber que como isto ainda é uma prática comum em Itália, mas tristes porque cá praticamente não se vê. Aliás, se um produtor fizesse isso, certamente só venderia a nichos de mercado, pois o comum dos consumidores provavelmente diria que já estava velho.
Ficámos agradados de saber que todos os vinhos por eles representados podem ser encontrados numa loja própria, recém aberta em Lisboa (junto ao Mercado da Ribeira), de seu nome VINOdiVINO. Não confundir com a garrafeira com nome praticamente igual que existe há alguns anos na Lapa.
Não podemos deixar de agradecer a oportunidade que nos deram de conhecer vinhos excepcionais. Foi um evento memorável!

Dia do Vinho 2009

Dia do Vinho 2009O Dia do Vinho comemora-se desde 2004 no Domingo mais próximo de dia 1 de Julho, sendo cada vez maior o número de iniciativas por todo o país. Este ano, dia 28 de Junho, eu e o Nuno decidimos participar num dos eventos organizados pela ViniPortugal e Essência do Vinho.
O dia acordou nublado e chuvoso mas não nos deteve. Depois do almoço lá fomos nós até ao Terreiro de Paço em Lisboa.
O evento decorreu na sala Ogival da ViniPortugal e nas arcadas junto dela. Ao longo das arcadas existiam algumas zonas de convívio, música ao vivo, show cooking e balcão com vinhos de vários produtores para prova. Na sala, além dos três balcões habituais de vinho para prova, era possível degustar queijos e azeite.
Ao que parece, o evento não teve início à hora prevista. O show cooking do Vitor Sobral foi adiado para o fim da tarde, o que nos possibilitou assistir.

A maioria dos participantes eram turistas, encantados com a sorte que tiveram por passar por ali. Certamente que tiveram de alterar os planos uma vez que ficavam durante muitooooooooo tempo.
O facto de não estar demasiada gente ajudou à festa. Com mais pessoas seria um pouco como o fim-de-semana no evento Essência do Vinho, realizado no Palácio da Bolsa no Porto, autênticas sardinhas em lata.
O que mais agradou foi o facto dos vinhos em prova irem rodando. Nunca estavam os mesmos e o factor surpresa é sempre interessante.
Comentámos logo que um wine bar com este sistema seria bem jogado. Seria só sentar e ir provando conforme a vontade e o ritmo a que os vinhos seriam rodados. O mesmo podia ser feito com uns petiscos para acompanhar.
Parece-me que acabámos de idealizar um rodízio wine bar. Não sei se é ir um pouco longe demais para muita gente, mas uma das coisas que mais gostamos é ir despreocupadamente a um wine bar e deixar que nos surpreendam, trazendo vinhos sem os escolhermos.

Encontro com o Vinho / Encontro com os Sabores 2008

Encontro com o Vinho / Encontro com os Sabores 2008Terminou ontem a edição de 2008 de um dos maiores, senão o maior, evento de vinhos de Portugal, o Encontro com o Vinho / Encontro com os Sabores.
Este ano foi complicado arranjar um pouco de tempo para ir a este evento e estivemos mesmo até à ultima da hora para saber se íamos ou não.
Pode parecer estranho nós, com um site dedicado ao vinho, não conseguirmos arranjar tempo na agenda para ir a este evento, mas a causa era nobre: o único elemento solteiro do Magna Casta deixou de o ser no segundo dia do evento!
É verdade, o Ricardo deixou de ser solteiro e bom rapaz, para passar a ser casado... a parte do bom rapaz agora não somos nós que temos que dizer. Tongue out
Como o casamento foi em Guimarães, eu e a Ema lá fizemos um esforço para nos levantarmos cedo no Domingo e, quase 400Kms depois, lá estávamos nós no Centro de Congressos de Lisboa.
Como seria de esperar num evento destes, ainda por cima ao Domingo, a quantidade de gente era muito alta. Mesmo assim, tenho a sensação que foi pior em anos anteriores. Talvez o espaço dedicado aos restaurantes de Lisboa tenha ajudado um pouco a dispersar. A partir da hora de jantar então estava um sossego.
Após uma primeira volta de reconhecimento, fomos primeiro provar brancos. Lembro-me de, nos primeiros anos em que começámos a frequentar este tipo de eventos, não gostarmos da maioria dos brancos e partir rapidamente para os tintos. Desta vez isto não aconteceu. Podia ser por estarmos a gostar mais brancos do que antigamente, mas não me parece que seja apenas isso. Acho que de facto os brancos portugueses deram mesmo um salto qualitativo enorme e o painel "Brancos de Outono" da última Revista de Vinhos comprova isso.
Passámos então aos tintos e ficámos sensivelmente a 2/3 do que queriamos provar. Tinhamos prometido a alguns produtores voltar para os tintos e já não conseguimos.
Fiquei com pena, especialmente porque alguns deles mereciam mais os seus vinhos provados do que um ou outro trombudo que, ano após ano, têm tido uma atitude de soberba que considero ser de desrespeito para com o consumidor. Se estão a fazer frete metam lá umas meninas com pouca roupa, como os da Aliança, e apareçam lá só no dia dedicado aos profissionais.
Mas quero realçar que, felizmente, isso tem sido uma minoria. Mais uma vez foram muitos os produtores que nos deu especial gosto conhecer e esperamos ter oportunidade de reencontrar. Talvez nas próximas viagens enoturísticas.
A acompanhar o Encontro com o Vinho esteve o Gosto de Lisboa, um espaço independente no qual estavam representados 8 dos mais famosos restaurantes de Lisboa. Junto à entrada desse espaço estava uma caixa onde era possível trocar Euros por Gostos, que é como quem diz pequenos pratos de 2.5€ com petiscos preparados por qualquer um dos restaurantes. Muito interessante neste espaço era a combinação do vinho com a comida. Após escolhido o Gosto, podiamo-nos dirigir a um dos stands que se encontravam nessa zona para nos aconselharem o vinho para acompanhar a comida. Gostava de ter explorado mais esta parte mas o tempo não deu para tudo.
Não podia deixar de fazer um agradecimento especial à nossa amiga Irina Costa por nos ter arranjado convites para o evento.
Para o ano há mais!

Esporão 1º Prémio da Confraria dos Enófilos do Alentejo 2007

Esporão 1º Prémio da Confraria dos Enófilos do Alentejo 2007A Confraria dos Enófilos do Alentejo organiza, há 18 anos, um concurso em que mete à prova os melhores vinhos da região.
Pela 3ª vez nestes 18 anos, o Esporão conseguiu o primeiro prémio. Para o lançamento oficial do vinho, foram convidados vários bloggers portugueses que escrevem sobre vinhos, tendo nós o prazer de fazer parte da lista.
Como a viagem até à Herdade se fez muito bem, chegámos um pouco antes da hora, tendo aproveitado o tempo e o magnífico dia de sol para desfrutar do alpendre.
Fiilpe Caetano (director de marketing) e Sanda Alves (enóloga) fizeram as honras da casa, com simpatia e informalidade, a tornar desde logo este evento em algo muito descontraído. Entretanto foi chegando o resto do pessoal e, um pouco mais tarde do que o previsto, partiu-se para a acção.
Começou-se a prova por um branco, o Verdelho, que é o único monocasta branco da casa. Alguém levantou a lebre sobre qual dos Verdelhos se tratava. Seria este o "Verdelho-Verdelho", ou o "Verdelho-Gouveio". Isto das castas traz sempre discussões interessantes. Castas diferentes com nomes iguais conforme a região, a mesma casta com vários nomes... há de tudo um pouco.
De seguida, provámos o Esporão Reserva Tinto 2007, também fresquinho no mercado. Este é, salvo erro, o vinho da sua gama com maior produção em Portugal. De ano para ano, tem apresentado uma consistência que o torna num dos valores seguros do mercado. Este 2007 não é excepção, havendo até quem achasse que podia ser o melhor dos últimos anos.
Passámos então ao "causador" da nossa ida lá, que se apresentou vestido com 2 diferentes rótulos, com desenhos da autoria da artista plástica Ana Jotta. Um excelente vinho, ainda com muita margem para progressão, com uma frescura muito interessante e uns 15% de álcool bem disfarçados. Claramente para guardar e provar daqui a uns anos para ver se evolui tão bem como o seu irmão mais velho, de 2000, que tivemos a oportunidade de provar a seguir. O entusiasmo com a colheita de 2000 foi tanto que, por momentos, chegou a parecer que era aquele o vinho que estava a ser apresentado. Se ainda houvesse alguma garrafa de 2000 à venda na loja, acho que teria chegado a haver confronto físico pela sua posse. Laughing
Mas o dia ainda estava longe de acabar. Houve ainda almoço no restaurante "A Galeria do Esporão", visita à adega e passeio pelas vinhas (aqui já com algumas desistências).
Não podíamos terminar sem agradecer pelo convite para este dia tão bem passado, com bons vinhos e boa companhia.

Esporão no Bica do Sapato

Esporão na Bica do SapatoSobre o tema “O Vinho é o melhor lugar para nos encontrarmos com os amigos”, o Esporão organizou mais um evento fantástico. Foi ao fim da tarde de 8 de Maio, no Bica do Sapato em Lisboa.
Estávamos a aboborar em casa embora a tarde estivesse convidativa a sair. À última da hora decidimos aproveitar o convite, pegámos no garoto e lá fomos nós até à capital.
Com o Henrique enfiado no sling, entrámos no Bica do Sapato sem saber o que esperar do evento. O ambiente estava informal q.b., o local e o espaço fantásticos e, a temperatura e paisagem sobre o rio Tejo a convidar a longas e descontraídas conversas na esplanada do restaurante.
Desde logo encontrámos imensos amigos com quem estivemos à conversa enquanto provávamos alguns dos vinhos do Esporão e nos deliciávamos com algumas iguarias do restaurante.
Falando dos vinhos, foram servidos seis vinhos. Os tintos estavam representados por dois do Douro, Assobio 2009 e Quinta dos Murças Reserva 2008 e, três do Alentejo, PV Petit Verdot 2008, TN Touriga Nacional 2008 e S Syrah 2008. O vinho branco foi bem representado pelo alentejano 2 Castas Gouveio/Verdelho 2010.
Sabem que mais? Que venham muitos eventos destes porque a vida é para ser aproveitada ao máximo.

Essência do Gourmet, Wine & Tapas Experience e Almoço Framingham

Essência do Gourmet, Wine & Tapas ExperienceNum curto espaço de tempo (ao longo de três dias) tive a oportunidade de juntar três experiências interessantes, no Porto - a Essência do Gourmet integrada com a Wine & Tapas Experience e um almoço de apresentação da aposta na Nova Zelândia da Sogrape, a Framingham.
"O Barca Velha estava quente"... hmm? "Sim, o Barca Velha estava quente.". Estava a acabar de provar o Casa Ferreirinha Reserva Especial 2001, enquanto conversava com o Eng. Manuel Vieira - da Quinta dos Carvalhais - e apercebi-me que deixei passar a prova de Barca Velha 2000. Enquanto chegavam os primeiros testemunhas - a prova havia de repetir-se nos dias seguintes - oiço mais alguns testemunhos: "Sim, estava absolutamente divinal - mas a sala é pequena, e estava muita gente. Estava quente."
"Se é assim, vou refrescar já o meu vinho" - o Eng. Manuel Vieira desapareceu, e dirigi-me então para a zona das tapas. Para além dos nacionais Álvaro Costa, Fernando Santos, Luís Américo e Nuno Inverneiro, estava também presente a Chef Anna Hansen (Londres) - todos responsáveis por pequenas experiências de tapas que, conjugadas com um ou outro copo de vinho, fizeram as delícias dos presentes.
Quinta dos Carvalhais - com um muito interessante colheita tardia (eu já conhecia o resto dos vinhos presentes) - e Casa Ferreirinha foram claramente as presenças fortes, sendo ainda de referir a presença da Framingham - a "tal" aquisição da Sogrape na Nova Zelândia que já nessa altura me impressionou com os Riesling em prova. Mas sobre a Framingham... haveria mais a dizer.
No dia seguinte, perto das 11.30, Casa da Música no Porto, com muitas presenças do grupo - Enólogos, responsáveis financeiros, etc - claramente uma demonstração da força da aposta da Sogrape neste novo território - foi apresentada a produção da Framingham, da Nova Zelândia. Conheci o Tom Trolove, o responsável pela marca, com quem aprendi uma parte importante da história da Framingham, mesmo antes de a prova ter começado.
Na sala de prova, foi-nos dado um pouco do contexto da Nova Zelândia - mais propriamente Marlborough - onde é rainha a casta Sauvignon Blanc (com cerca de 73%), ainda que haja também uma presença importante de Chardonnay, Pinot Gris e Riesling, ao que se seguiu uma apresentação da Framingham (equipa, práticas, mais-valias, número e tipo de vindimas, etc), que não é uma produção de quantidade, mas de qualidade. Os comentadores (Tom Trolove, António Braga e Beatriz de Almeida) fizeram um excelente trabalho, não só pela qualidade e quantidade da informação transmitida, mas também pela interactividade da prova, respondendo a todas as questões.
O sol que se fazia sentir não ajudou o início da prova (tinha estado bem mais fresco até esse dia), mas pouco a pouco o ambiente começou a arrefecer, e a prova seguiu-se num ritmo confortável, alternando entre prova e comentários.
Uma característica comum a praticamente todos os vinhos é a presença da acidez natural - muito relacionada com as condições únicas da Nova Zelândia, e de Marlborough em particular: influência do clima marítimo (portanto, fresco); até cerca de 15m acima do nível do mar e muito influenciado pelos mineirais presentes no que era antes o leito de um rio. Uma outra influência é, naturalmente, o enólogo Andrew Hedley, Dr. - com formação em medicina e química orgânica, que não esconde a influência da Alemanha e Itália nos seus vinhos.
Começamos pelo Framingham 2009 Sauvignon Blanc - suave, doce, e com uma boa acidez, com notas tropicais e minerais, passando de seguida para o Dry Riesling 2004 onde se encontram notas de mel, alguma tosta e um pouco de notas florais. Este último impressionou-me, uma vez que não passa em madeira - aliás, a maior parte fermenta em inox - e tem notas que muitos vinhos sõ conseguem ir buscar em madeira. Na gama dos Riesling, passamos ainda pelo 2008 Classic Riesling (citrino, mineral) e pelo 2009 Select Riesling, que é dos três o que mais me agradou, e cuja vindima é a terceira passagem da vinha.
Na lista faltava ainda o Pinot Gris de 2009 (característico floral, caramelo, especiarias, com um excelente corpo) e o Gewurztraminer 2009. Alguns minutos depois ouvi um comentário do George Sandeman, durante o almoço, dizendo que este é a interpretação Gewurztraminer como ele deveria ser - e como eu o adoro: exótico, doce, sedoso, com um excelente aroma a rosas.
Por fim, não podia faltar o 2009 Noble Riesling, ideal para ligar com queijos, com um estilo que me agrada: doce, mas não em demasia, e com baixo teor alcoólico. Durante o almoço que se seguiu - no qual tive o privilégio de estar em frente a um tal de George Sandeman, entre o Miguel Pessanha e o Nuno Pires (Wine) e em amena cavaqueira com o Tom Trolove. Fomos agraciados com um almoço absolutamente delicioso, confeccionado pela Chef Anna Hansen (no The Modern Pantry), que foi também responsável pelo casamento com os vinhos da Sogrape, no último andar da Casa da Música. Não é todos os dias que, para além do Dry Riesling da Framingham, se passa pela Casa Ferreirinha Reserva Especial 2001 e pelo (novo) topo de gama, ainda sem nome, da Herdade do Peso, devidamente apresentados pelos seus enólogos.
No domingo, ainda durante a manhã, o último cartucho no Palácio da Bolsa, para os cursos de cozinha (mais para ver e provar do que aprender, no meu caso) e para mais uma prova da Framingham (o Riesling ficou registado na minha lista de compras). Como se começava a aproximar a hora do almoço - e, como se pode ver nas fotografias, o espaço começou a ficar menos confortável - deixamos os corredores do balcão superior e descemos para a zona das aulas. Curioso o facto de existirem várias aulas temáticas (Cozinhar com estilo; Solteiros na Cozinha; Jantares de amigos; Um ás na cozinha; Cozinhar depressa e bem; etc) cada uma com o seu Chef respectivo. Dado o reduzido número de lugares em cada um (até para manter uma qualidade mínima), reservei a presença na área do Chefe Gemelli e passei ainda pela área de provas da Sogrape, para uma nova passagem pelo Riesling - divinal, até pelo facto de a sala começar a ficar quente.
Nesta aula de cozinha, aprendemos a fazer uma sopa de meloa com rúcola e pá de porco fumado (em 5 minutos!); um rolinho primavera com fiambre de perú e por fim um excelente caril de arroz aromático com camarão e fiambre fumado. Fiquei ainda uns minutos a conversar com o Chefe Gemelli, mas estava chegada a hora de sair - já com a sala muito quente - e dar lugar aos muitos visitantes.
Estarei lá certamente no próximo ano - esperando chegar a tempo da prova de Barca Velha 2000, se - Sogrape oiça - houver!

Essência do Vinho 2009

Essência do Vinho 2009Aha, julgavam que se livravam de nós?
Pois é, após um mês de ausência estamos de volta! Não desistimos assim tão facilmente.
Eu e a Ema ainda temos desculpa para esta ausência forçada, pois estivemos a mudar de casa e, como podem imaginar, tempo foi coisa que não tivemos nos últimos tempos. No entanto, há um certo indivíduo que deveria ter mantido as coisas a rolar durante a nossa ausência, mas não! Além de não ter escrito nada no último mês, ainda deixou em destaque na página principal um vinho com uma foto miserável, que não abona nada a nosso favor. Já estamos fartos de lhe dizer para tirar as fotos antes de beber a garrafa toda, mas ele não segue o nosso conselho.
Para marcar o nosso regresso, nada como um dos maiores eventos de vinho em Portugal, a Essência do Vinho 2009.
Mesmo morando na zona de Lisboa, temos sempre tentado estar presentes. Afinal de contas é sempre uma boa oportunidade para provar as novidades, para ajudar na altura de preencher os espaços livres na garrafeira. Para o Ricardo é mais fácil, porque agora mora aqui quase ao lado.
Para não variar, foram muitas as novidades que os produtores apresentaram. Muitos deles estavam munidos de amostras de barrica para dar a conhecer vinhos que ainda não estão no mercado. Além disso, foi com agradável surpresa que vimos em cima dos balcões muitos dos topos de gama que por vezes não aparecem ou, quando aparecem, ficam muitas vezes escondidos. Provámos muitas coisas boas e aproveitámos também para ficar com os contactos de alguns produtores, para fazer umas visitas nos nossos próximos passeios enoturísticos.
No que aos produtores diz respeito, foi dos eventos que mais gostei... na primeira hora e meia que lá estivemos.
A partir daí, uma avalanche de gente encheu por completo o Palácio da Bolsa, sem contar com as filas de espera na parte de fora do edifício. O andar de cima então, tornou-se completamente intransitável. Era quase como tentar provar vinhos dentro de um metro à hora de ponta. Ainda tentámos chegar perto de alguns produtores mas acabámos por desistir e nem sequer conseguimos falar com alguns que tão bem conhecemos.
Felizmente haviam alguns recantos mais sossegados que nos serviram de refúgio durante alguns momentos, como por exemplo a Sala Ogival onde também estavam "refugiados" o Ryan e a Gabriella Opaz do Catavino, que já conhecemos há algum tempo destas andanças da Internet e que, finalmente, tivemos o prazer de conhecer ao vivo.
Este evento é demasiado grande para aquele espaço e, na nossa opinião, alguma coisa tem que ser feita nas próximas edições. A mudança do local devia ser mesmo uma hipótese a considerar, embora fosse uma pena, porque deve ser quase impossível arranjar um espaço maior com o encanto do Palácio da Bolsa. Ou então deviam limitar seriamente o número de bilhetes. É que, desta forma, o que devia ser uma experiência agradável tornou-se em algo demasiado cansativo. Se no ano que vem o evento se mantiver neste formato, só nos apanham lá se conseguirmos ir num dia de semana.
Para finalizar, deixamos um link com os 10 vencedores do concurso "Top 10 Vinhos Portugueses", que se realizou durante o evento. Curiosamente, à hora que estou a escrever isto, ainda não está publicado na página oficial do evento. São os encantos da Web 2.0.

Essência do Vinho 2010

Essência do Vinho 2010Parece que os nossos inícios de ano estão destinados a ser complicados. Já no ano passado estávamos quase parados e "acordámos" na altura da Essência do Vinho. O ano passado foi uma mudança de casa e este ano um puto que vem a caminho, com tudo o que é preciso tratar nestas alturas.
Mesmo assim, arranjámos um tempinho para dar um salto de fugida ao Porto para ir à Essência do Vinho.
Tal como já tínhamos feito em 2 eventos no ano passado, levámos connosco o pai da Ema. A grande diferença foi a quantidade de gente pois, embora houvesse um número muito maior de produtores, a confusão era tal que acabou por se provar muito menos do que nos outros eventos mais pequenos. Mesmo assim ele gostou do que provou e ficou surpreendido pela quantidade muito grande de mulheres - a maioria jovens - o que mostra que o vinho não é, nem de perto nem de longe, uma coisa de homens.
Para nós, devo confessar que não foi tão agradável. Não pelos vinhos, pois mais uma vez estava lá quase tudo o que de melhor se faz no país, mas pelos problemas de espaço que já tínhamos referido no ano passado. Este ano com a agravante de não nos ter sido possível chegar logo à hora de abertura, inutilizando imediatamente a possibilidade de provar decentemente vinhos nos corredores do andar de cima. Como não havia bengaleiro, tivemos que andar com guarda-chuvas e casacos atrás, dificultando ainda mais os movimentos.
Fugimos imediatamente para o andar de baixo, onde basicamente fomos dizer olá a alguns produtores amigos e provar algumas (poucas) coisas. O futuro enólogo não permitiu à Ema esticar-se muito mais e acabou por ter que se sentar num dos escassos bancos do evento (no ano passado havia muito mais).
Num acto quase heróico, ainda levei o meu sogro ao andar de cima para lhe dar a conhecer algumas coisas que tinham escapado, mas rapidamente voltámos a descer e acabámos por ir embora. Até porque a fome já apertava e não havia nada para comer, mas nem assim as pessoas arredavam pé e o belíssimo Palácio da Bolsa rebentava pelas costuras.
Já no ano passado o dissemos e voltamos a dizer, o Palácio da Bolsa é pequeno demais para este evento. Acho que nem que os bilhetes custassem 20€ se resolvia o problema. Só mesmo com uma casa maior.
O Ricardo safou-se melhor, pois conseguiu ir lá durante a semana. Só assim deve ser possível desfrutar do evento. Assim acabou por ser um sacrifício que nem os bons vinhos provados chegaram para compensar.

Desta vez, em vez de fotos decidimos inventar e fazer um filme. Foi a primeira vez que filmámos alguma coisa e que editámos um vídeo, por isso têm que dar o desconto.Laughing

European Wine Bloggers Conference 2009 - 1º dia

European Wine Bloggers Conference 2009Eu sei que já passou mais de 1 mês desde que se realizou a European Wine Bloggers Conference em Lisboa mas, infelizmente, só agora é que deu para escrever umas linhas sobre isso com o tempo que o tema merecia.
O ano passado já queríamos ter ido, mais que não fosse para ter uma boa desculpa para conhecer La Rioja, mas uns familiares lembraram-se de baptizar um puto nesse fim-de-semana e convidar-nos.
Este ano não queríamos voltar a perder a conferência, especialmente depois de saber que ia ser cá em Lisboa. Mesmo assim, já depois de estarmos inscritos, a coisa andou tremida. Tivemos que cancelar em cima da hora a viagem dos Douro Boys (estávamos no lote dos 30 felizes contemplados) e faltar aos jantares antes e depois da conferência, mas com algum esforço conseguimos estar presentes nos 3 dias.
E não nos arrependemos, pois foram 3 dias bem passados, com muitas provas, discussões saudáveis e uma grande miscelânea de pessoas de diferentes proveniências mas com a mesma paixão em comum: o vinho.
Começando pelo primeiro dia da conferência, chegámos atrasados como bons portugueses. Smile
Mas não tivemos propriamente culpa, porque ainda estávamos a trabalhar nesse dia e saímos o mais cedo que foi possível.
Perdemos a sessão de abertura e entrámos no hotel do evento quase a meio da prova da Vinoble. A Vinoble é uma feira de vinhos nobres, generosos, licorosos e doces, que se realiza anualmente em Jerez de La Frontera. Ainda fomos a tempo de provar um Porto Colheita 1994 da Quevedo, um Moscatel Roxo 1999 da Bacalhôa, um Madeira Colheita 1995 da Justino Henriques, um Porto Vintage 2007 da Sandeman e, para terminar, um Pedro Ximénes Gran Orden da Garvey.
Um pequena pausa e lá veio uma das provas mais aguardadas do evento, pelo menos por mim, a prova Douro Boys. Foi uma longa prova com muito boa disposição, 18 vinhos provados, apenas ligeiramente abalada pela larica que começou a aumentar conforme íamos entrando pela hora do jantar adentro. Mas os produtores não queriam deixar de aproveitar a oportunidade de dissecar os seus projectos - e respectivos vinhos - perante uma vasta e eclética plateia.
Depois de tanto provar, chegou a altura de comer, beber e dar à língua num jantar no restaurante do hotel, também patrocinado pelos Douro Boys. Para além dos vinhos que tinham estado na prova, fomos brindados com mais umas coisas interessantes, como por exemplo uma magnum de Quinta do Vale Meão 2001 que a Ema não queria deixar sair da nossa mesa, ou o Douro Boys Cuvee 2005.
Quando achávamos que íamos para casa, o Luís Seabra da Niepoort decidiu ir à mala do carro e estragou-nos os planos. Além de algumas coisas dos Projectos Niepoort, apareceu com um Vintage 1983 e um Porto Branco Seco de 1929 que nos há-de ficar muitos anos na memória.

Feira da Vinha e do Vinho 2009

Feira da Vinha e do VinhoViemos passar o fim-de-semana a casa dos pais da Ema e aproveitámos para dar um salto à Feira da Vinha e do Vinho em Anadia.
Faz agora 3 anos desde a primeira vez que fomos a esta feira. Nesse ano, conseguimos arrastar alguns colegas de trabalho que, embora consumidores de vinho, não tinham a Bairrada como alvo. Havia um deles até, que quase se recusava a provar vinhos com Baga. Na semana seguinte pediram-nos para lhes comprar umas centenas de euros em vinho da Bairrada, incluindo uma caixa (a 15€ a garrafa) de um vinho 100% Baga para o tal que não gostava de Baga. E desde aí têm sido regulares as compras que fazemos para eles. Temos que começar a cobrar comissão. Laughing
Tudo isto para dizer que a Feira da Vinha e do Vinho está muito diferente do que era em 2006. Na altura estavam lá muito mais stands de produtores, muito mais vinhos de gama média/alta e... cuspideiras. Se fosse agora, tenho dúvidas que os nossos colegas se tivessem tornado assíduos consumidores de Bairrada com a visita à Feira.
Não quero dizer com isto que a Feira é má. O espaço é bom, tem artistas de renome a actuar (independentemente de gostar ou não), continua a ter alguns bons produtores da região, restaurantes com boa comida e um custo de entrada simbólico de 1€. Quem quiser comer boa gastronomia da região e beber vinho (especialmente espumantes), pode ter lá umas horas bem passadas.
Tendo em conta que não se paga pelo vinho e o copo é sempre bem cheio, a entrada é autenticamente oferecida.
O problema é que não é nada apelativo para os produtores. Ter custos com uma pessoa a tempo inteiro e oferecer vinho a um público que é quase todo local e já conhece os seus vinhos, é um custo que muitos não estão dispostos a ter. Um grupo de alguns dos maiores produtores da região optou por se juntar no mesmo stand, mas os vinhos que poderiam atrair os habituais frequentadores de eventos de vinho não estão presentes. E com isto entramos num ciclo vicioso em que não se atraem potenciais compradores de fora, ficando os produtores com cada vez menos interesse em marcar presença no evento.
A Bairrada precisa de um evento que promova a sua imagem fora da região, à semelhança do que acontece por exemplo com os eventos que têm ocorrido no Dão. Já ando farto de ouvir pessoas dizer que não gostam de vinhos desta região e, depois de provarem alguns sem saber, acabam por mandar tiradas como "Ah, isto não é Bairrada". No entanto, se calhar este evento não pode fazer este papel. É que se por um lado entendo o desinteresse de alguns produtores com quem temos falado, também compreendo o lado da Câmara Municipal, que não pode tornar a festa da cidade numa coisa que não possa ser acessível para todos.
Talvez a recém criada Rota da Bairrada - que engloba não só os vinhos como os restaurantes, museus, hotéis, etc - o consiga fazer. Com menos de um ano de criação e tem-se mostrado bastante activa, organizando alguns eventos interessantes e usando até as novas tecnologias para a divulgação das suas actividades. Estão ainda a trabalhar num Portal Bairrada, que espero gostar tanto como a caixinha que tinham no stand da Feira, com mapa e informação detalhada de cada um dos associados, onde nem faltam as coordenadas GPS. Tivemos pena de não estar ninguém lá quando passámos no stand para podermos trocar algumas ideias.
Numa noite quente como esta, acabámos por seguir a tendência e andámos pelos espumantes. Eu sei que não fica bem a um gajo dizer que andou a beber bebidas cor-de-rosinha, mas o que é facto é que provámos alguns espumantes rosé que souberam bastante bem.
Fizemos uma passagem pela zona dos restaurantes mas não comemos nada porque já tinhamos jantado. A julgar pelo aspecto de alguns pratos, e do ar de satisfação do pessoal que estava a comer, pareceu-me que estava bem bom. Só não resistimos à gulosice e acabámos por comprar 2 pastéis de Tentúgal para comer antes de vir embora.

Feira do Vinho do Dão 2009

Feira do Vinho do Dão 2009Mais uma semana, mais um evento vínico. Desta vez um pouco mais abaixo, em Nelas, e novamente uma tarde de calor.
Como nunca lá tínhamos ido não sabíamos bem onde era mas, não só demos com a feira à primeira, como arranjámos logo um lugar de estacionamento à sombra. Para começar não estava nada mal.
Ao ver que os expositores eram ao ar livre chegámos a temer o pior, mas as muitas árvores à volta eram mais do que suficientes para proteger a mona do sol. Umas esplanadas no meio do largo estavam até bem fresquinhas, tendo nós mais tarde aproveitado para fazer lá uma pausa.
Como o evento também tinha apoio da Essência do Vinho fomos à procura dos copos, mas desta vez cada produtor é que tinha os próprios copos.
Ainda não tínhamos começado a provar vinhos e encontrámos logo um colega do curso de provas da Comissão Vitininícola da Bairrada, que acabou por nos acompanhar durante boa parte do tempo.
A lista de produtores presentes era muito boa. Estava lá grande parte dos que, na nossa opinião, são dos melhores produtores do Dão. Numa altura em que se fala que os tintos do Dão andam a perder elegancia, para ficar cada vez mais alcoólicos e encorpados, o panorama da feira foi animador.
Para ajudar à festa, notou-se nos produtores um extremo cuidado com as temperaturas. Uns com recurso aos baldes de gelo, outros a frigoríficos e até os que levaram grandes caves climatizadas, que tão bem ficariam lá em casa. Smile
O que é certo é que, mesmo com calor no interior dos expositores, não provámos nenhum vinho que estivesse quente! Pena não ser sempre assim.
Também de assinalar o espírito de entreajuda entre os produtores que, por diversas vezes, nos aconselharam vinhos de expositores vizinhos.
Em relação às actividades paralelas, fomos dar uma espreitadela a uma prova orientada pelo escanção Manuel Moreira (mas já não tinhamos lugar na mesa) e, no espaço de show cooking, cozinha infantil com a equipa do Chefe Chakall.
Pouco antes de virmos embora, ainda encontrámos o Miguel do blog Pingamor, que ainda não conhecíamos pessoalmente. Como estava alojado perto, ainda ia jantar antes de se dedicar às provas. Nós, como ainda tínhamos uma hora de caminho para fazer, acabámos por aproveitar a pausa para jantar dos produtores para ir embora.

Festa das Vindimas 2008 - Palmela

Festa das Vindimas Palmela 2008Terminou ontem a 46ª edição das Festa das Vindimas de Palmela.
Este é um ano especial, pois a Origem Demarcada do Moscatel de Setúbal comemora o seu primeiro centenário e, por isso, foi o tema principal da festa.
Além do Moscatel de Setúbal estar de parabéns, também os vinhos da região de Palmela estão, pelos prémios obtidos a nível nacional e internacional durante este ano, comprovando e dando a conhecer a qualidade dos vinhos da região e portugueses.
Já fomos algumas vezes à Festa das Vindimas de Palmela, mas nunca conseguimos assistir aos momentos mais tradicionais da festa. Finalmente este ano conseguimos assistir ao Cortejo das Vindimas, ficando a faltar o Cortejo dos Camponeses.
Durante a festa, a vila de Palmela transforma-se radicalmente. As ruas ficam repletas de uma multidão do concelho e arredores, que vive intensamente cada minuto. No fim-de-semana nota-se claramente a chegada de muitas pessoas de todos os pontos do país para assistir ao momentos mais emblemáticos.
No recinto da festa, entre muitas outras coisas, existem alguns stands de produtores, onde é possível provar muitos dos vinhos da região.
Este ano já acabou mas para o ano há mais.

Herdade das Servas: Vertical Touriga Nacional

Herdade das Servas: Vertical Touriga NacionalNum belo dia de Janeiro, acordo pelas 6h30 da madrugada (sim, ainda sem se ver o sol) e despacho-me a ir para a Praça Velasquez, onde um mini-van me esperava. Já lá estavam mais alguns companheiros de viagem, com o mesmo sono (ou mais, se isso fosse possível). Partimos pelas 7h com rumo a Estremoz, chegando à Herdade das Servas pelas 10h30, convidados a participar numa prova vertical dos Touriga Nacional desta casa.
O Nuno e a Ema já tinham visitado esta Quinta, pelo que desta vez não incluímos fotografias do que já existe no outro artigo de Enoturismo: Enoturismo: Herdade das Servas. Ainda que o pessoal de Lisboa tenha saído cedo e estivesse mais perto, ainda demoraram uma boa meia hora a chegar; entretanto chegaram o Nuno e a Ema para completar a equipa Magna Casta.
Não demorou muito tempo até termos copos do Escolha 2009 Branco casado com umas tapas alentejanas, para massajar o estômago da viagem. Gostei tanto da frescura e dos frutos tropicais casados com mel que não saí da Herdade das Servas sem trazer duas garrafas para casa.
Se não fosse atractivo suficiente a prova destes Touriga Nacional alentejanos, a Herdade das Servas estava preparada: brindou-nos com um almoço criado em especial para a ocasião (em harmonia com os vinhos) pelo Chef. Augusto Gemelli. Infelizmente não temos as fotos dos pratos todos pois o Nuno, que já não comia há 2 dias à espera deste almoço, normalmente só se lembrava de os fotografar quando acabava de rapar o prato.
Estava prevista uma visita à vinha da Judia, mas acabamos por fazer uma visita à adega e à cave, onde nos foi descrito em pormenor todo o pormenor desde a vindima, a vinificação e o estágio pelo Carlos Mira e pelos enólogos Tiago Garcia e Luís Mira. No meio da visita pudemos ainda perceber que existe um conjunto de "experiências" que podem vir a dar frutos com potencial, no futuro. Claramente, é valorizada a investigação de caminhos alternativos com objectivos benéficos para o produto final.
A prova vertical começou com o Herdade das Servas Touriga Nacional 2003, conjugado com um "carpaccio" de espadarte marinado sobre creme de grão-de-bico ao cominho, tomatinhos no forno e azeite de rúcola. Esta foi claramente uma aposta do Chef em mostrar - surpreendendo toda a gente - que é possível conjugar um Touriga Nacional Alentejano com peixe, desde que se saiba o que se está a fazer. E se há quem saiba...
Este 2003 é violeta escuro, e surpreende com os aromas florais e frutados, com uma evolução para o cacau e fumo (foi o que mais apreciei, provavelmente pelas razões erradas). Acredito que terá mais alguns anos de evolução em garrafa. De seguida, o Chef "casou" um polvo caramelizado e fumado em cama de "pappa" de tomate, hortelã e perfume com o Touriga Nacional 2004. Na mesa onde estava, preferiram este 2004 mais corpulento, fresco e mais floral que tendeu para as especiarias com o tempo.
Como o almoço ainda só ia a meio, passamos para o Touriga Nacional 2005 harmonizado com um ravioli de massa de espinafres recheados com farinheira de presunto e azeitona, espelho de "pesto" de manjericão e queijo Pecorino jovem, talvez o que menos se destacou - fresco, um pouco mentolado, evoluindo para o cacau, especiarias e cacau característico dos seus irmãos mais velhos. Para finalizar, e já com pouco espaço disponível, passamos ao lombinho de porco corado na salva com "risotto" de barriga fumada, batata nova e alecrim casado com o Touriga Nacional 2006. Não posso deixar de associar este 2006 ao perfil do 2005, mas bastante mais consistente - mantendo as notas de mentol, que lhe conferem frescura, e com algumas notas de frutos pretos maduros, e com um sabor intenso.
Por fim, já com todas as notas da vertical Touriga Nacional, fomos surpreendidos novamente: um bolinho de maçã e caril com molho de caramelo e chocolate branco, com a presença-surpresa do Licoroso da Herdade das Servas, ainda que a harmonização não me tenha agradado.
Depois de um almoço deste calibre, a viagem para cima foi bastante sossegada (para quem ficou acordado).

III Prova de Vinhos da Região de Setúbal no Parlamento

III Prova de Vinhos da Região de Setúbal no ParlamentoDia 3 de Março, teve lugar na Assembleia da República a III Prova de Vinhos da Região de Setúbal, promovida pelo Deputado Luís Rodrigues em parceria com a Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal e que contou com o apoio do Presidente do Parlamento, o Dr. Jaime Gama.
Desta vez só eu é que pude ir, e estava a ver que nem eu ia. A prova começava às 18h30 e, na melhor das hipóteses, chegaria lá já depois das 19h. Mas o pior estava para vir, desde a zona da Expo até à AR demorei "apenas" 1h e tal. Desviava-me de uma confusão de trânsito e metia-me noutra e, como já não estou habituado a andar no trânsito, estive mesmo quase a voltar para trás. Só me aguentei por 2 razões: Para poder vir aqui dizer que fui à Assembleia da República e ficarem a pensar que sou um gajo importante, mas também para ter alguma coisa para responder ao Ricardo, que passou o dia a meter-me nojo com a prova da Heritage Wines que andou a fazer no The Yeatman. Quando tomei essa decisão final de fazer uma forcinha, parece que o trânsito decidiu dar-me folga e cheguei lá passados 10 minutos.
Diga-se, em abono da verdade, que a prova não foi mesmo no edifício principal da AR mas num edifício mais recente mesmo ao lado. Até porque não sei se deixariam entrar lá um gajo a precisar de tosquia ao cabelo e à barba há mais de um mês.
Quando lá cheguei ainda havia vinho, mas os queijinhos e isso já só vestígios. Só um arroz doce, mas não comi porque senão ia-me estragar o palato para a pinga. Obviamente que não tive tempo de provar nem 1/10, por isso acabei por deixar de lado os nomes mais conhecidos e fui provar coisas que não conhecia, ou conhecia mas só de nome. Uma coisa que deu para notar é que o Castelão, que tanta fama teve na zona, é cada vez mais uma minoria. Tenho pena porque é uma casta que aprecio bastante, especialmente com algum envelhecimento. Além disso, acredito que Portugal só tem a ganhar lá fora se fizer diferente dos outros países, e para isso nada melhor que as castas portuguesas.
No entanto, devo dizer que provei algumas coisas interessantes da "nova era". Confesso que tenho andado um pouco afastado dos vinhos da região, e logo eu que sou de lá, mas a vaga que começou a aparecer de vinhos quase iguais uns aos outros não me deixava vontade nenhuma de voltar a eles. Só mesmo os antigos, alguns dos quais com mais de 20 anos, que me regalaram várias vezes nos últimos anos, e os Moscateis, claro. Este evento deu-me esperança na região e só por isso já valeu a pena a ida lá, apesar do trabalho que tive para encontrar nos armários cá de casa roupa mais formal que ainda não tenha sido atacada pelas traças.
Já tive a oportunidade de agradecer pessoalmente, mas volto aqui a agradecer ao André de Quiroga pelo convite.

José Maria da Fonseca Visita, Prova e Almoço Bloggers

José Maria da Fonseca Visita, Prova e AlmoçoAcabei de fazer os 350Km que me separam de Setúbal, vindo da José Maria da Fonseca, a fechar as duas semanas em que estive numa prova de Porto Vintage 2009 em Lisboa e no aniversário da Garrafeira Tio Pepe, no Porto (portanto, uma semana difícil...).
À chegada, pelas 11h00, muitas caras conhecidas no grupo de Bloggers acompanhados pela Sofia Soares Franco - manager da área de Enoturismo - que nos recebeu, seguindo-se uma visita exactamente igual à que é efectuada pelos turistas. Como eu já tinha estado na JMF em Maio, na Prova de Moscatéis José Maria da Fonseca, não estive completamente atento durante a primeira parte da visita; no entanto quando subimos aos jardins e às adegas, surpreendentemente fiquei mais atento.
Ao contrário da anterior visita, desta vez estive perto da garrafeira privada da família, onde repousa uma grande parte da riqueza da casa (podem-se ver centenas de garrafas e tonéis alinhados), e onde só entram os (muito poucos) eleitos. A visita por si só vale bem a pena pela História desta grande casa, pelo percurso individual de cada vinho apresentado e pela hospitalidade que - da minha experiência - é regra.
A primeira parte da prova apresentou alguns vinhos que eu já conhecia, como o Quinta de Camarate Branco Seco 2010 com Alvarinho (amarelo claro, aromas tropicais e boca frutada, bem quilibrada), o Quinta de Camarate Branco Doce 2010 também com Alvarinho (amarelo esverdeado, mineral e com toques de pêssego e banana, suave - a ter à mão para consumo frequente), o Quinta de Camarate Tinto 2008 (rubi, aromas típicos da touriga nacional e frutos vermelhos, suave e com boa frescura) e o Pasmados Tinto 2008 (rubi, aromas da touriga nacional, menta da syrah, cerejas e madeira, boa acidez e longo....).

Depois do aquecimento, começou a prova de resistência, com a orientação do Eng. Domingos Soares Franco, onde desfilaram curiosidades, experiências e valores mais do que confirmados. Para começar, uma comparação entre o nosso Verdelho e o Verdejo (para além da prova propriamente dita, foram apresentadas evidências de que, de facto, são completamente diferentes). Logo a seguir, uma comparação de Grand Noir entre fermentação em Talha, Lagar e Inox (foi apenas a segunda vez que tive a oportunidade de experimentar o resultado da fermentação em Talha, na qual realço os aromas a barro - claro! - terra e toques vegetais). De seguida... a prova de resistência com a prova em primeira mão do J de José de Sousa 2009:

Domini Plus 2008
Cor púrpura.
A presença desta casa no Douro mostra-se neste Domini Plus; fruta (amora, cereja), coco e pimenta.
Fresco e com um corpo imponente, exige acompanhamento sólido.
Ricardo: 16

FSF 2007
Rubi mais claro.
Aromas terrosos e da floresta, especiariasm balsâmico e toques florais. Oferece-nos uma prova de boca à macho, a mostrar os taninos que exigem sólidos a acompanhar; por isso mesmo, fica na boca durante muito tempo a lembrar que por lá passou..
Ricardo: 17

Periquita Superyor 2008
Vermelho escuro.
O nariz mostra toques de couro, especiarias (noto em particular a canela), framboesas e baunilha da madeira. A boca confirma a elegância e suavidade do nariz, e parece que não quer acabar.
Ricardo: 17.5

J de José de Sousa 2009
Aromas a fruta madura (vermelha e preta), chocolate e mineral. Na boca é extremamente suave, equilibrado, com a fruta a sobressair, e muito longo.
Ricardo: 18

Colecção Privada DSF Moscatel de Setúbal (Armagnac) 1998
Aromas de laranja, chocolate, verniz e um pouco de tosta que parecem explodir no copo, resultando num excelente bouquet e grande elegância. A boca não acompanha o excelente nariz.
Ricardo: 17

Colecção Privada DSF Moscatel de Setúbal (Cognac) 1999
Engarrafado pela primeira vez em 2011 com um perfil muito mineral, muito menos frutado e mais duro, com toques de amêndoa amarga. A boca é excelente.
Se se conseguisse juntar o nariz do Armagnac com a boca do Cognac.........
Ricardo: 17

Colecção Privada DSF Moscatel Roxo 2003
Dourado com laivos de vermelho.
Aromas a avelãs e figos, com uma boca muito elegante e acidez equilibrada. Dura... e dura...
Ricardo: 17.5

Moscatel Roxo 20 anos
Bastante floral, doce (até no nariz se sente a doçura), mel e frutos secos. Bastante equilibrado e persistente. Está igual à última vez que o provei.
Ricardo: 16.5

Bastardinho 2009 e 2011
Cor castanho claro em ambos, com muita fruta fresca, polpa doce, e adstrigência vincada; doçura excessiva que - acredito - há-de evoluir positivamente; serviram como apontamento sobre os planos da JMF para tentar recuperar esta tradição.
Ricardo: -

Depois de toda esta luta, estava chegada a hora do almoço, com a companhia da equipa da JMF, numa clara demonstração de que nada fica ao acaso: depois da prova de grande nível, um almoço de grande nível, nomeadamente no casamento perfeito entre sólidos e líquidos:

Lancers Rosé
Queijo de Azeitão
Creme de Ervilhas
Pasmados Branco 2008: amarelo vincado, nariz frutado e vegetal; untuoso e bom toques de baunilha a confirmar a presença em madeira. Gostei.
O prato principal foi um Bacalhau Dourado com Salada Rica, acompanhado com o Hexagon 2003 (linda cor rubi, com um nariz floral, frutado e com toques minerais, de tabaco e menta; na boca confirma o que já se conhece: complexo, encorpado mas suave e parece que não quer acabar). A receita deste Bacalhau é antiga, e mantém-se na memória da cozinheira, e é curiosamente o prato preferido do Eng. Domingos Soares Franco.
Seguiu-se a sobremesa - torta de azeitão com fruta laminada - acompanhada com o excelente Bastardinho de Azeitão 30 anos (lindíssima cor âmbar escuro, com um nariz especiado e cheio de frutos secos, acidez perfeita, e com uma persistência de invejar). Definitivamente, vou ter de ajudar o Nuno a verificar se a garrafa que ele tem em casa está igual a esta.

Por fim, estava reservada a surpresa do dia: uma garrafa mistério, servida ainda antes do café. O nariz extremamente complexo e elegante - café, laranja, caramelo, iodo - e uma prova de boca explosiva mas fresca, com uma persistência impressionante (garanto que ainda sentia o sabor durante a viagem para o Norte). Não demorou muito para se desvendar o mistério: Moscatel Setúbal Superior de 1955, o prazer dentro de uma garrafa. Independentemente de tudo o resto (hospitalidade, simpatia, profissionalismo, qualidade) é de registar a generosidade desta enorme casa por nos ter possibilitado esta experiência ímpar.

Lançamento dos Vinhos da Quinta dos Murças

Foi no passado dia 23 de Fevereiro, que saíram para o mercado os primeiros vinhos do Douro (e Porto) do Esporão.
A apresentação decorreu na Culturgest, no edifício da Caixa Geral de Depósitos. Foi apresentada a curta metragem "Alto Relevo", de Graça Castanheira, seguida da prova de vinhos.
Decidimos levar o nosso garoto de 8 meses, afinal de contas ele tem que se ir adaptando a estas andanças. Por um lado ele portou-se muito bem mas, como ainda o tivemos de ir buscar à creche, já não conseguimos chegar a tempo de assistir à curta metragem. Nada de dramático, até porque está disponível na Internet (aproveito até para o meter aqui), mas é um filme com uma excelente fotografia por isso visto em grande devia ficar a ganhar.
A sala estava muito bem composta, incluindo algumas altas individualidades daquelas cujos ordenados costumam circular por mail em forma de protesto. Depois de ficarmos deprimidos a pensar quantos anos temos de trabalhar para ganhar o equivalente a 1 mês de ordenado deles, fomos embora...
Não fomos nada. Ainda havia vinho para provar e excelentes enchidos e presunto de porco preto para comer.
Pelo menos para já, são 3 os vinhos lançados no mercado, todos com origem na Quinta dos Murças, em Covelinhas, propriedade adquirida pela empresa em 2008:

A primeira impressão foi boa. Os vinhos têm qualidade, os preços parecem correctos para a qualidade e a quantidade produzida - especialmente para Douro - é de respeito. 99.100 litros de Assobio e 22.500 litros de Quinta dos Murças Reserva. Basicamente o que se esperaria de um investimento do Esporão no Douro. Não me admirava se daqui a uns tempos aparecesse um vinho de topo para se bater com os pesos-pesados da região.
Resta-me alertar para alguns perigos de levar um bebé para um evento destes. Uma certa personalidade do Adegga apanhou-nos distraídos e, quando demos conta, estava a dar o Vinho de Porto a cheirar ao miúdo.

Alto Relevo – Ode ao Douro e ao Vinho (Alto Relevo - An Ode to the Douro and wine) from Esporão on Vimeo.

Lançamento Torre do Frade Viognier 2010

Lançamento Torre do Frade Viognier 2010Foi em Lisboa, na loja da Carnalentejana, ao final da tarde de 20 de Abril deste ano. Já passou muito tempo mas não queríamos deixar de partilhar. Foi um fim de tarde bem passado.
Fui buscar o Henrique à creche, apanhei o meu macho no trabalho e seguimos para o evento. O céu estava carregado de nuvens e a qualquer momento descarregava em cima de nós. Não nos deixámos influenciar, ansiávamos por uma quebra na monotonia do dia-a-dia e esperavam-nos amigos do Adegga e Torre do Frade para por a conversa em dia.
O Torre do Frade Viognier 2009 foi um sucesso e estávamos curiosos com o 2010. Quando provei, achei que era muito agradável e fresco mas do vinho falará o Nuno Monteiro. Não bebi com a atenção merecida, porque estava mais atenta ao diabrete Henrique, e bebi pouco por estar a amamentar.
Para acompanhar a degustação foram servidas algumas criações do Chef Augusto Gemelli, maioritariamente de bovino da marca Carnalentejana. Uma delícia!

Nota de prova:
Cor citrina entre o amarelo e o esverdeado.
Aroma intenso onde o maior destaque é da fruta, em especial os citrinos e alperce. A madeira marcava também presença no nariz com aromas abaunilhados.
Na boca também essa sensação abaunilhada da madeira estava presente. Segundo a conversa com o produtor é intencional, com vista à durabilidade do vinho. No entanto há que dizer que aqui há muito para além da madeira. O vinho tem corpo, uma belíssima acidez cítrica e uma pujança que parece que deixa a boca a palpitar no final. Nunca me lembraria de fazer um lançamento de um branco com carnes (e acho que com um peixe no forno ainda combinava melhor), mas o vinho não se intimidou e teve “cabedal” para se aguentar com as carnes vermelhas sem ser abafado por estas.
Espero prová-lo daqui a uns tempos depois de a madeira ter amansado mais.

Porto & Douro Wine Show 2008

Porto e Douro Wine Show 2008Decorreu no passado fim-de-semana mais um evento vínico no qual marcámos presença. Estivemos mesmo quase para ir os 3 juntos mas, em cima da hora, acabou por não dar e o Ricardo acabou por ir no Domingo. Vamos portanto fazer uma entrada no blog repartida, em que eu falo da nossa experiência no Sábado e o Ricardo fala sobre Domingo.
Para mim e para a Ema acabou por ser um evento bastante diferente dos anteriores. Isto porque fomos com 3 amigos nossos que não costumam andar tanto nestas andanças como nós. Aliás, para um deles foi a estreia absoluta. O problema foi mesmo a parte de tentar convencê-lo a usar as cuspideiras, para conseguir provar uma quantidade considerável de vinhos. Mas aparentemente gostou e talvez repita.

Começando pelas partes boas do evento, devo dizer que gosto mesmo muito do Convento do Beato. Acho que se adequa perfeitamente a um evento deste género. O número de produtores era perfeitamente aceitável para a área, embora os corredores entre eles fossem um pouco estreitos, e tinham espaços bastante agradáveis para nos sentarmos a descansar um pouco.
Encontrámos caras conhecidas de algumas provas em que participámos, pessoal com sites sobre vinho (André Ribeirinho e Emídio Santos do Adegga e Andrea Smith do Catavino) e alguns produtores que já conhecemos bem e é sempre um prazer rever de novo.
Ainda pelo lado positivo, o ar cada vez mais informal dos profissionais do vinho, em especial dos produtores.
Como nem tudo é um mar de rosas, vamos às partes más.
Não podia deixar de começar pela música. Gostava de perceber qual foi a alma que teve a ideia de colocar música com um volume daqueles. Parecia que estávamos numa discoteca! Por vezes tinhamos que falar quase aos berros para nos ouvirmos uns aos outros. Incompreensível!
A nível de expositores tive duas grandes desilusões. A ausência de alguns dos principais produtores do Douro e o enorme decréscimo na presença de Vinhos do Porto. O ano passado provámos um número considerável de Vinhos do Porto, até mesmo vintages, e este ano estava difícil de os encontrar.
No entanto, esta ausencia de nomes mais sonantes até acaba por ser boa para os menos conhecidos. Mais uma vez conhecemos neste evento produtores muito interessantes que desconhecíamos.
No mesmo espaço do evento ocorreu o Lisboa Gourmet, com expositores gourmet, uma zona denominada de Restaurante Show, onde estavam representados alguns restaurantes famosos de Lisboa, e sessões de cozinha ao vivo.
No próximo fim-de-semana estaremos no Dão Vinhos & Gourmet.
No domingo, como de costume, presenciei uma tarde muito preenchida, onde era difícil conseguir falar com os produtores, tal o número de pessoas no espaço. Ainda assim, os sofás (que provavelmente lá foram colocados para ocupar espaço livre) cumprem o objectivo, permitindo conversas mais calmas sem o bulício entre os corredores.
Foi interessante perceber que, quando os grandes produtores não participam, os mais pequenos (o que não é, de forma alguma, sinónimo de menor qualidade...) marcam presença, com algumas surpresas agradáveis que demonstram que a vitalidade também está nos mais pequenos! A área circundante está bastante razoável, com a indústria associada (e patrocinadores) a apresentarem stands no contexto e sempre interessantes.
Um voto de confiança na organização que consegue manter as entradas a preços aceitáveis, cumprindo (a meu ver) o objectivo de levar o vinho ao público em geral, e não apenas à indústria e aos especialistas.

Portuguese Wine Bloggers: Prova Andresen

Prova AndresenApós uma manhã com o seu quê de agradável, à tarde não houve descanso e fomos até à J.H.Andresen.
À nossa espera junto à estação de comboios de Vila Nova de Gaia (Devesas, carago!), estava Carlos Flores dos Santos, proprietário e administrador da companhia. Reunidas as tropas, dirigimo-nos então ao edifício onde iria decorrer a prova que, visto de fora, parecia um prédio de habitação normal. Entrámos, atravessámos a zona de escritórios e a sala de provas, onde o enólogo Álvaro Van Zeller tinha as coisas a postos para nós, e iniciámos uma visita pelo edifício.
A Andresen é uma pequena casa de Vinho do Porto, o que mesmo assim implica que necessite de muito espaço. Aquelas instalações, que não são tão pequenas quanto isso, são apenas uma de vários armazéns. Em boa parte isso deve-se à lei do terço que faz com que as empresas tenham sempre muito vinho armazenado que não pode ser vendido.
O edifício não é um daqueles todos bonitinhos para visitas, é essencialmente um edifício de trabalho. Mas onde há barricas e tonéis, há sempre alguma beleza. Até há bem pouco tempo a Andresen nem sequer tinha visitas e, como Carlos Flores dos Santos nos "confessou", nos primeiros tempos as visitas duravam quase um dia inteiro. Percebe-se porquê, apesar de ser alguém que na sua infância dizia que nunca haveria de trabalhar nesta área, a verdade é que foi "apanhado" e nota-se o entusiasmo nas muitas histórias que tem para contar. Como se trata de um edifício de trabalho, não falta uma tanoaria própria. Muitos de nós nunca tinhamos estado numa tanoaria. Apesar de não estar lá ninguém a trabalhar por ser fim-de-semana, foi-nos mostrado algum do trabalho que ali se faz e algumas das técnicas utilizadas. O Rui Lourenço Pereira, como se pode ver numa das fotos, até pegou na marreta.
Após a visita, voltámos à sala de provas. Ali a prova foi bastante diferente da prova da manhã. Além de ser na sala de trabalho do enólogo, realizou-se em regime self-service. Um copo para cada um e iamos provando e conversando. Ainda antes de começarmos a provar alguém notou que Álvaro Van Zeller tinha exposto um cartão de sócio do Benfica junto à sua secretária. Logo a discussão começou, com o Ricardo a aproveitar a situação para exibir o cartão dele do Vitória de Guimarães. Certas pessoas tiveram sorte, se a prova tivesse sido depois de um comentário destes sobre benfiquistas, não tinha direito a copo para provar. Água da torneira já era bom.
Numa prova onde imperou a boa disposição, chegando até a passar por uma fase de anedotas picantes, desfilaram os seguintes néctares:

Andresen Colheita 1997
Cor âmbar.
Aroma com frutos secos (passas e também alguma amêndoa) mas ainda alguma fruta fresca presente.
Fresco, com um toque balsâmico. Bom comprimento na boca e final longo.
Nuno: 17 / Ricardo: 16.5

Andresen Colheita 1995
Côr âmbar também, e vou-me abster de falar na cor nos próximos até aos que deixam de ser âmbar. Assim deixo de chatear os leitores com mais uma linha igual.
Aroma mais directo, com algum anis e toque floral.
Alguma doçura, compensada com boa acidez... Confesso que tentei várias vezes mas não percebo o que escrevi a seguir nas minhas notas sobre a boca. Sou um gajo de informática mas continuo a ser um rústico que se ajeita mais a escrever à mão, o pior é quando não percebo o que escrevo! Final longo.
Nuno: 16.5 / Ricardo 16

Andresen Colheita 1992
Vinho numa fase mais contida a nível de aromas. Algum fumado, caramelo e tâmaras. 
Acidez viva. Apesar de preencher bem a boca é um vinho de grande elegância. 
Também na boca o caramelo aparece, mas daquele caramelo sem doçuras, amargo, como eu gosto. Belo final. 
Nuno: 16.5 / Ricardo 16.5

Andresen Colheita 1991
Aroma mais aberto que o 1992.
Caramelo mas tipo aqueles rebuçados penha e um toque balsâmico.
É daqueles vinhos que na boca parece que se vai descascando em várias camadas. Final bastante longo. 
Deste primeiro round foi o que mais prazer me deu.
Nuno: 17 / Ricardo 16.5

Intervalo! Depois dos colheitas, um vintage para fazer a separação dos brancos datados que aí vinham.

Andresen Vintage 2007
Este como é um vintage, obviamente não é âmbar. É escuro que nem breu!
Aroma muito frutado, a cereja preta, com toque balsâmico e algum floral.
Na boca é mastigável, parece que estamos a comer polpa daquelas cerejas do Fundão muito pretas e bem maduras, apesar de ter ainda uma grande austeridade.
Não é daqueles vinhos de impacto inicial (o que aliás foi uma característica também dos colheitas aqui provados, mas vai crescendo). Final longo.
Nuno: 17 / Ricardo 18

Andresen White 10 anos
Aroma com bastante mineralidade e alguma flor de laranjeira.
Acidez bem presente. Alguma secura na boca, com toque citrino. Final longo.
Nuno: 16.5 / Ricardo: 16

Andresen White 20 anos
Também bastante mineral, acompanhado de folhas secas e noz.
Mais seco ainda que o 10 anos, acidez igualmente pujante. Pede acompanhamento. Boa profundidade na boca e final bem longo.
Nuno: 17 / Ricardo 17

Mais um intervalo. Outro vintage antes dos colheitas mais antigos.

Andresen Vintage 2008
Mais um completamente opaco.
Aroma menos frutado, com muita esteva e violetas.
Frutos pretos, muito taninoso e seco. Muita austeridade comparando com o 2007. Como depois nos foi explicado pelo enólogo, este tem muito + álcool e também bastante mais secura (trocando por miudos, muito menos doçura). Final longo e seco. Parece que eu estava do lado da minoria, mas gostei mais do 2007.
Nuno: 16.5 / Ricardo: 16

E agora é que foram elas...

Andresen Colheita 1982
Aroma a mostrar muita elegância. Não é daqueles exuberantes mas sim dos que nos chamam a cheirar uma e outra vez para o descobrir. Mel, tâmaras e especiarias, vão aparecendo.
E a partir daqui as bocas foram-se tornando cada vez mais surpreendentes. Pujante, bela acidez e final muito longo.
Nuno: 17.5 / Ricardo: 17

Andresen Colheita 1980
A partir desde os tons começaram a ir mais para os acastanhados.
Aroma com café, caramelo e especiarias.
Untoso, mastigável, com grande frescura e final muito prolongado.
Nuno: 18.5 / Ricardo: 19

Andresen Colheita 1975
Aroma delicado. Laranja cristalizada e frutos secos.
Na boca é o mais elegante de todos. Dizem que 1975 é um mau ano (mas a nível de pessoas a colheita foi excelente Laughing), mas este vinho mostra o contrário. Este é um verdadeiro gentleman. Convenceu-me mesmo, finalmente encontrei um vinho do meu ano que desejo comprar!
Nuno: 18 / Ricardo: 18

Andresen Colheita 1968
Tom mais castanho ainda.
Aroma mais seco, com tabaco/caixa de charuto, o que fez os fãs de charuto presentes começarem uma dissertação sobre charutos.
Também é muito na base da elegância, mas demonstra mais potência e untosidade que o 1975. Grande acidez e final muito longo. Foi o preferido de alguns dos presentes.
Nuno: 19 / Ricardo: 19.25 (sim, este mamífero não se decide se quer dar 19 ou 19.5, por isso publico mesmo assim senão daqui a um mês ainda temos isto por publicar)

Andresen Colheita 1910
O 1968 não foi o meu preferido por causa deste "senhor". Eu percebo o porquê do 1968 ser o preferido de muitos. É um vinho que causa um grande impacto e, como tínhamos provado tantos vinhos, dava nas vistas.
Este é mais um daqueles que podia estar meia hora a descrever aromas e apareciam sempre mais.
Entra de mansinho na boca, como que a dizer para nos irmos preparando para o que ali vinha. Depois cresce, cresce. Já depois de o engolir (sim, este acho que também ninguém teve coragem de cuspir) ele continua, continua, interminável. Estava eu a descrever esta minha sensação e logo o João Barbosa tinha de arranjar uma piada ordinária... 
O conteúdo da barrica não dá para mais do que 1000 garrafas, por isso é melhor cheirar e beber com a maior calma do Mundo, o que não era possível ali. Desejei prová-lo a solo. Sem os outros todos antes, pois acho que só assim seria justa a sua avaliação.
Nuno: 19.5 / Ricardo: 19.5

E pronto, foi isto...Roguem-me lá as pragas que quiserem, que eu já nem quero saber.
Quando um gajo tem crises existenciais e nem sabe se há-de continuar a "blogar" ou não, aparece uma coisa destas e já tudo vale a pena.
Um grande agradecimento à Andresen por nos ter propocionado esta prova, ainda por cima a um Sábado quando costumam estar fechados.
E o maior agradecimento de todos vai para o Rui Lourenço Pereira, que apesar das contrariedades que surgiram na primeira tentativa insistiu e conseguiu que tivessemos um dia memorável.

Portuguese Wine Bloggers: Prova Graham's

Portuguese Wine Bloggers: Prova Graham'sA seguir a um almoço apressado e regado a água, chegamos atrasados à Graham's mas mesmo assim fomos recebidos com um sorriso pelo Raul Valle. Ao entrar, passámos no bar e vimos as garrafas que íamos provar, e talvez por isso tivesse sido demorado começarmos a fazer a visita (pareceu-me que o Nuno queria ficar para trás).
Para além da Graham's, fazem parte da Symington a Warre's, a Cockburn's, o Dow's e a Quinta do Vesúvio; o que implica que têm o maior stock de Vinho do Porto do mundo. A principal propriedade do grupo é a Quinta dos Malvedos (razão suficiente para darem o mesmo nome ao blog), embora tenham mais de 1300 hectares de vinha que para além do Porto alimentam ainda o Chryseia (schlep!) e o Post Scriptum, por exemplo.
A surpresa da tarde foi a visita à garrafeira de envelhecimento dos vintage, com muitas surpresas (as sete garrafas de 1868 são mesmo as únicas). Desta vez, não foi só o Nuno que não queria sair - vários de nós se queriam deixar ficar para trás, antes da prova.... Claro que depois de voltarmos ao bar (já agora, é um excelente local para visitar regularmente) já ninguem se lembrava da garrafeira. Por ordem, com um excelente acompanhamento do Raul (que comentou todos os vinhos provados), provámos os seguintes Vinhos do Porto:

Graham’s 30 Anos Tawny
Laranja/âmbar, com aromas a mel, caramelo, nozes. Revela um equilíbrio muito bom.
Nuno: 17 / Ricardo: 16

Graham’s 40 Anos Tawny
Cor semelhante ao 30 anos, com aromas a charutos, iodo, cola/verniz, casca de laranja. Está mais fechado que o irmão mais novo, mas é bem mais encorpado e elegante.
Nuno: 17 / Ricardo: 16.5

Warre's Colheita 1937
Cor acastanhada com laivos esverdeados, com enorme frescura e persistência, com um grande equilíbrio. Aromas de frutos secos (noz, amêndoa) e verniz. Sem dúvida um Grande Porto.
Nuno: 19 / Ricardo: 19

Graham’s Colheita 1961
Cor mais carregada, com muito boa acidez e aromas a tabaco, especiarias e chocolate. Acaba com um travo picante delicioso.
Nuno: 18 / Ricardo: 18

Graham’s Vintage 1963
Cor tijolo, aromas a compotas, cereja preta, frutas maduras, com um excelente equilíbrio, comprimento muito bom e persistência excelente (acho que ainda hoje continua...). O meu favorito, em conjunto com o Warre's 37. Diz o Nuno que se tivesse um buraco na nuca, o 63 ia parar ao fundo da sala.
Nuno: 19.5 / Ricardo: 18.5

Graham’s Vintage 1970
Menos aberto que o 63, com aromas a fruta madura (ameixas, cerejas pretas) com bastante acidez, doce e equilibrado mas com álcool a sobressair um pouco.
Nuno: 17.5 / Ricardo: 18

Graham’s Vintage 1980
Um vintage mais recente, com notas químicas, iodo, fruta madura, marmelo e um pouco vegetal.
Nuno: 17.5 / Ricardo: 16.5

Quinta do Vesúvio Vintage 1994
Enorme vontade de sair do copo, com fruta madura que se mastiga, e aparenta ter margem para enorme evolução. Sem dúvida um dos melhores.
Nuno: 19 / Ricardo: 18.5

Graham’s Vintage 2003
Um vintage ainda recente com cor carregada, muito frutado e fresco.
Nuno: 17.5 / Ricardo: 17.5

Quinta do Vesúvio Vintage 2008
Uma bomba de fruta com toques florais, excelente cor (método tradicional), e ainda com muitos taninos.
Nuno: 17.5 / Ricardo: 17.5

Esta prova acabou por ser bastante mais demorada e acompanhada passo a passo pelo Raul, não só no que diz respeito à história de cada um dos vinhos como também pela provocação, de início ao fim, sobre as nossas preferências.

Um enorme agradecimento ao Raul, que mesmo depois de nos aturar nos convidou a voltar (MESMO depois de eu lhe dizer que morava a poucos minutos de distância, o que é pouco sensato) ao muito bom ambiente que é a sala de provas da Graham's.

Portuguese Wine Bloggers: Prova Messias

Prova Messias
Depois de algumas provas interessantes organizadas pelo Rui Lourenço Pereira, o Sérgio Lopes saiu de casa, andou meia dúzia de metros e combinou uma prova na Messias para os Portuguese Wine Bloggers.
Eu fui buscar o Nuno, que chegava de Anadia, e embora chegassemos 5 minutos antes da hora marcada, fomos os últimos a chegar à porta da Messias, em Gaia.
Esperava-nos a Ana Urbano (a Enóloga), que nos guiou pelos armazéns onde, entre balseiros, barricas e depósitos de betão, nos fez viajar pela história da Messias.
Curiosamente, apesar de se ter esquecido da máquina fotográfica, o único sítio onde o Nuno me pediu para tirar fotos foi na garrafeira velha, e até esteve perto de lá ficar fechado, não fosse a Ana esperar uns bons 5 minutos para ele tirar mais "umas fotos". Depois de quase o arrastar de lá para fora, subimos até à sala de provas onde tínhamos algumas preciosidades à nossa espera. Para além de alguns Vintage (um dos quais já teve a "mão" da Ana Urbano), provamos dois Tawny e uma série de colheitas.

Messias Vintage 2007

Nariz intenso com cerejas pretas, noz, ainda bastante frutado, figos, ameixas e tabaco. Fresco e equilibrado. Com as devidas reservas, já pode ser bebido, embora o tempo só lhe venha a fazer bem.
Nuno: 16.5 / Ricardo: 16.5

Messias Vintage 2003

Cor rubi, semelhante ao anterior mas com toques vegetais, caramelo e (diz o Nuno) estevas. É mais persistente que o anterior, e pareceu-me estar pronto a beber.
Nuno: 17 / Ricardo: 17

Messias Vintage 1984

Cor laranja dourado, com aromas a fruta (mirtilos, cerejas), iodo e noz; um pouco oxidado, parece já estar perfeitamente evoluído.
Nuno: 16.5 / Ricardo: 17

Messias Tawny 10 anos

Bonita cor laranja, aromas de caramelo e casca de laranja, couro e tâmaras com alguma frescura e um toque picante no final.
Nuno: 16 / Ricardo: 16

Messias Tawny 30 anos

Laranja ainda mais claro, frutos secos, alguns toques de laranja e um pouco amargo. Mantém o toque de laranja um pouco picante no final, com uma boa persistência.
Nuno: 17 / Ricardo: 17

Messias Colheita 2000

Avermelhado, com uma enorme frescura, frutos secos (nozes, cerejas pretas, laranja), e algumas flores secas. Um final bastante bom, com especiarias e ligeiramente apimentado.
Nuno: 16.5 / Ricardo: 17

Messias Colheita 1991

Alaranjado/castanho claro, aromas de laranja, tabaco, amêndoas, frutas cristalizadas. Tem um bom corpo, e tem uma boa frescura.
Nuno: 17.5 / Ricardo: 18

Messias Colheita 1985

Âmbar, muito intenso de aromas (verniz, cola, mel) e com uma boa acidez e complexidade, finalizando com um toque de especiarias. Muito boa persistência e bastante doçura.

Nuno: 17 / Ricardo: 18

Messias Colheita 1977

Laranja escuro, aromas a amêndoas torradas, frutos secos (avelãs?), muito complexo e menos doce que o anterior, picante e menos intenso, ainda assim com boa persistência e complexidade.
Nuno: 18 / Ricardo: 17

Messias Colheita 1963

Laivos esverdeados, aromas a frutas e iodo, muitas nozes, ficos e couro. O corpo é excelente, tem ainda boa acidez e tem um final interminável.
Nuno: 18.5 / Ricardo: 18.5

Como já estávamos a ficar atrasados, acabamos por nos despachar muito rapidamente - com os devidos agradecimentos à Ana Urbano, que nos recebeu num sábado - e ao Sérgio Lopes, que com esta iniciativa nos proporcionou uma excelente prova. Curiosamente - numa estreia absoluta para mim - o almoço dos Portuguese Wine Bloggers, depois de uma prova da Messias e antes de uma prova na Graham's, foi regado exclusivamente a água.

Portuguese Wine Bloggers: Prova Sogevinus

Prova SogevinusEste texto está difícil de começar!
Já perdi a conta das vezes que escrevi e apaguei o início. Em parte porque ando destreinado de escrever, mas principalmente porque é difícil descrever o belo dia que passámos em Vila Nova de Gaia na companhia de outros wine bloggers. Quer dizer, não é que seja difícil descrever. O "problema" é que foi tão bom que qualquer coisa que eu escreva pode soar a "raio do gajo aqui a babar-se com vinhos que só se provam uma vez na vida, a irritar as pessoas que gostavam de lá ter estado e não estiveram e, por isso, se devia ter engasgado".
Agora que penso bem no assunto, acho que foi por isso que o Ricardo (que também foi) me pediu para ser eu a escrever este.
Passando então ao dia 29 de Janeiro, lá fui eu a caminho de Vila Nova de Gaia onde me encontrei com o Ricardo e seguimos só no carro dele até perto das caves. Entretanto a comitiva vinda de Lisboa de comboio chegou e entrámos nas Caves da Cálem, onde se realizou a primeira prova do dia.
Antes da prova, foram feitas as apresentações à equipa da Sogevinus que teve a amabilidade de nos receber e foi-nos feita uma visita guiada pelas caves, onde se podem ver painéis com a história da Cálem, barricas, tonéis e balseiros. Chegámos mesmo a entrar num balseiro - que é uma sala multimédia onde é apresentado um filme - terminando a visita na sala de provas.
Não foi no entanto aí que provámos os vinhos, mas sim numa sala preparada para o efeito. Quando chegámos a essa sala, fomos ficando encandeados pelo brilho dos olhos do pessoal depois de ver as garrafas. Vinha ali realmente algo de grande!
A prova foi conduzida pelo enólogo Pedro Sá, que fez uma apresentação fantástica dos vinhos. E não digo isto pela qualidade dos vinhos (que obviamente a tornou fácil), mas porque foi o oposto da imagem cinzenta que ainda se vê muitas vezes associada ao vinho do Porto. Foi uma apresentação descontraída, bem disposta, com muitas gargalhadas e 2 bloggers a quase ficarem sem direito a almoço.
O desfilar de pomadas foi o seguinte:

Kopke White 40 Years Old
Cor dourada.
Nariz intenso com figos secos, amendoas e um toque de laranja cristalizada.
Ligeira doçura na boca, a fazer lembrar mel, bem compensada com uma acidez vibrante. Elegante com final longo.
Nuno: 17.5 / Ricardo: 17

Cálem Colheita 1961
O primeiro a apresentar ligeiros toques esverdeados na cor.
Aroma a mostrar alguma austeridade.
Mel, especiarias e algum tabaco.Mais seco e corpulento. Impressiona na jovialidade ao entrar na boca. Um dos preferidos do Ricardo.
Nuno: 18 / Ricardo: 19

Burmester Colheita 1960
Cor dourada.
Demora a mostrar-se, como que a dizer que quer que fiquem mais tempo a conversar com ele. Nozes, tâmaras e uma bela mineralidade vão aparecendo.
Mais elegante que o anterior, também por isso se sentiu ligeiramente mais o álcool mas bem equilibrado com a acidez. Final de grande "finura".
Nuno: 18 / Ricardo: 18

Barros Colheita 1950
Âmbar com reflexos esverdeados mais evidentes.
Aromas a frutos secos torrados, mel. caramelo. Alguma sensação de austeridade e ligeiro floral (que alguém disse que faziam lembrar uma zona específica de Óbidos e ia ficando sem almoçar).
Na boca foi talvez o que mais impacto inicial me causou, parece que nos dá uma chapada para acordar para ficarmos a olhar para ele. Gordo, com alguma dureza e secura. É vinho à macho.
Nuno: 18.5 / Ricardo: 19 

Burmester Colheita 1940
Âmbar.
Grande mineralidade no aroma. Torrefacção, bastante iôdo e vinagrinho (a partir desde muitos o mostravam).
Muito elegante, acidez viva, sabor a fazer lembrar mon cherry. Se o anterior era um machão, este era um gentleman.
Nuno: 19 / Ricardo: 19

Kopke Colheita 1937
Âmbar/acastanhado.
Cá está novamente o vinagrinho, muito iôdo, ficos secos, mel e casca de laranja.
Muito encorpado, com sensação melada em grande equilíbrio com a excelente acidez e o álcool. Grande final.
Nuno: 18.5 / Ricardo: 18.5

Barros Colheita White 1935
A nível de cor, venha quem vier. Ninguém diria que isto era um branco se não lhe visse o rótulo.
Aroma muito intenso mas com delicadeza. Aniz, frutos secos e melaço.
Mais um vinho de elegância fantástica, mas que nos enche a boca toda. Um luta entre o doce e o amargo. Acidez fantástica. E sei lá o que mais dizer... Tão bom!
Nuno: 19 / Ricardo: 19

Burmester Colheita 1900
Quero lá saber da cor!
1900!! O que dizer do aroma de um vinho destes? Melaço, cêra, noz, caramelo... Acho que se passássemos uma folha por todos os presentes para escrever os aromas que sentiam, uma folha A3 podia não chegar.
Na boca é estranho. Não num sentido negativo, pelo contrário. O próprio enólogo o descreveu como o vinho mais estranho que estávamos ali a provar. É verdade. Estranha-se e depois entranha-se. No fim engole-se, porque este é crime deitar para a cuspideira.
Nuno: 19.5 / Ricardo: 19.5

Depois desta prova foram-nos mostrar o quadro que deu origem ao rótulo do Porto Cálem Velhotes, mas o pessoal só falava era no "velhote" de 111 anos!
De seguida fomos para o almoço, num outro edifício junto à Ponte D.Luís. Um local friiiio onde, para além dos balseiros, repousam garrafas com vários Vinhos do Porto da casa. Subimos para a parte de cima, de onde se tinha uma magnífica vista sobre o Douro e fomos trincando os aperitivos antes do almoço.
É um bocado ingrato falar do almoço depois da prova da manhã, especialmente porque o resto das garrafas foram lá ter à mesa para acompanhar a sobremesa ofuscando outra vez tudo o resto. O Ricardo notou apenas que havia uma espécie de campo magnético na ponta da mesa onde ficámos... é que no final do almoço as garrafas estavam quase todas do nosso lado.

Mais uma vez um grande agradecimento à Sogevinus por nos dar o prazer de uma prova destas.

A seguir lá fomos nós para a Andresen.

 

Prova Heritage Wines

Prova Heritage Wines: The YeatmanA convite da Heritage Wines, dei comigo a passear no belíssimo The Yeatman com o pretexto de provar as novidades da Quinta do Crasto, Herdade do Mouchão e RODA (da Rioja). A Heritage Wines é uma distribuidora de vinho, representando grandes marcas de renome focada na qualidade das representações. Pertença da Fladgate Partnership, tem uma relação privilegiada com várias marcas do grupo e, precisamente por essa razão, foi escolhido o Yeatman para a realização das provas.
Não tive muito tempo para conhecer em pormenor o Hotel, mas as pequenas partes que fiquei a conhecer - até a piscina pejada de gaivotas - são únicas (à falta de mais adjectivos). Esta prova foi seguida de perto pelos responsáveis das várias casas e do grupo: o Tomás Roquette e o Manuel Lobo da Quinta do Crasto; o John Fordyce do Mouchão; o David Guimaraens (dispensa apresentações) e (dada a impossibilidade da representante) o Luís Sequeira como representante adoptado da RODA, a marca espanhola.
A prova aconteceu numa localização extraordinária, alguns níveis acima da piscina e com uma vista (apresentada nas fotografias que eu, sem nenhuma vocação, consegui tirar) espantosa para o Porto. Parece-me importante realçar o ambiente alegre, ocasionalmente picado com algum humor (o John referia-se ao Vinho do Porto como uma ginjinha, e foram trocadas piadas sobre o primeiro casal homossexual que mora perto do Mouchão e o facto de existir, no Douro, uma Quinta do Panascal....) que prosseguiu durante a prova e o almoço, aliado à colaboração patente entre várias Casas.
A primeira fase da prova apresentou o chamado desafio branco da Quinta do Crasto, o novíssimo Branco 2010 que tem uma excelente frescura (ao contrário do que seria de esperar, pela localização das vinhas), com citrinos e fruta tropical em destaque e uma complexidade interessante. Seguiu-se o Crasto 2009 Tinto, que para mim representa o típico Douro e tem a particularidade de não passar por madeira, para a mesma gama de preço que o Branco. Os dois momentos seguintes subiram o nível, uma vez que foram provados o excelente Crasto Superior 2009 originário da Quinta de Cabreira (porque origina do Douro Superior) com uma surpreendente frescura e complexidade, com uma garrafa Borgonha ao contrário de toda a gama Bordalesa e a fechar com chave de ouro o Reserva Vinhas Velhas 2008 (que está já disponível em meia garrafa, principalmente para o mercado Americano).
Estava chegada a hora de passar para o Mouchão, que começou com o D. Rafael 2009 Branco (Antão Vaz menos tropical, frescura e mineral do Arinto), D. Rafael Tinto 2009 (sou cliente habitual das especiarias e fruta preta com um toque de menta deste clássico Alentejo), Ponte das Canas 2008 (tostados, frutos negros e especiarias com uma profundidade interessante) e Mouchão 2006 (junta aos frutos negros e especiarias a compota).
Uma vez que a representante da RODA tinha ficado retida em Tóquio, a apresentação ficou a cargo do Luís Sequeira, iniciando-se pela excepção: o Corimbo 2008 (100% Tempranillo) com uma boa profundidade casada com frutos vermelhos e especiarias; o RODA 2006 (97% Tempranillo e 3% Graciano); o RODA 1 Reserva 2004 que é absolutamente elegante, com aromas de amoras e cassis, especiarias e um final de chocolate fenomenal e, por fim, o mítico Cirsion 2007 que é só resultado do melhor das melhores 17 barricas dos 28 vinhedos da RODA (aromas a lavanda, cerejas e cassis, muito denso, complexo e super-persistente).
Como ainda só tínhamos provado vinhos "correntes", o David Guimaraens presenteou-nos com uma prova de três vintage (Panascal, Vargellas e Fonseca) 2001 - exactamente com 10 anos. Não posso deixar de realçar o humor (Douro Boys ainda não são Douro Men....) com que conduziu esta prova, bem como o reconhecimento do excelente trabalho do António Magalhães com quem, em equipa, cria estes Vinhos do Porto. Sendo o último da manhã, e com o almoço à distância de poucos minutos, começamos pelo Quinta do Panascal 2001, que alia os aromas a ameixa, compotas, figo com uma frescura irrepreensível e enorme suavidade; seguiu-se o Quinta de Vargellas Vintage 2001 (é um dos meus preferidos de sempre) com uma impressionante expressão de violetas, fruta e especiarias, acabando com um toque de tabaco e uma enorme profundidade e, por fim, o Guimaraens Vintage 2001, um Fonseca em estilo mais complexo com aromas de figos, cereja madura, ameixas, compotas e chocolate aliados a uma frescura e persistência enormes, equilibrado e com taninos aveludados (diz quem conhece que é um dos melhores Fonseca de sempre).
Como as provas da manhã foram excelentes, foi-nos oferecido um almoço confeccionado por um tal de Chef Ricardo Costa, um desconhecido que aparentemente tem condições péssimas de trabalho na cozinha (perceberam a ironia?). Por isso mesmo, fiz o enorme sacrifício de provar o melhor Champagne que alguma vez provei - Bollinger Special Cuvée NV - ainda antes de começar o almoço, na varanda exterior do Yeatman. Já na sala, começamos por um creme aveludado de couve flor com açafrão, raviollis de crustáceos, bacalhau negro e azeite virgem acompanhados pelo Crasto Branco 2010 e pelo D. Rafael Branco 2009. Como fiquei sentado ao lado do John Fordyce, é óbvio que jurei a pés juntos que o D. Rafael era claramente superior - mas ele confessou-me durante o almoço que costuma beber em casa, para além dos seus vinhos, vinhos da Quinta do Crasto e vinhos da Filipa Pato.
Já lançado na Vitela Maronesa, jarret glaceado com cebolinhas e batata ratte, legumes estufados e molho de gengibre vi chegar o Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa 2005, seguido do Mouchão Colheita Antiga 2000. Ficou provada a capacidade de envelhecimento do Mouchão, que com 10 anos está em plena forma; mas é inquestionável a excelência e classe do Vinha Maria Teresa - não que a Quinta do Crasto necessite que eu o diga.
Durante a sobremesa (morangos salteados com hortelã, merengue ligeiro de lima e cardamomo e molho de côco com caril acompanhados com o Taylor's Tawny 20 anos) já estava a trocar histórias sobre o Ayrton Senna e o Valentino Rossi com o Duarte Fernandes (da Heritage Wines), acabando abruptamente a conversa quando chegou o Fonseca Vintage 1985 para acompanhar uma selecção de queijos com compotas caseiras (vá-se lá saber porquê...).
No final ainda troquei algumas palavras com o Chef Ricardo Costa, e voltei a fazer o percurso contrário, para sair do Yeatman. Passei ainda pela loja de vinhos onde prometi voltar rapidamente, pelas surpresas que encontrei e até por alguns preços (!), e registei a Classe que é patente em todos os pormenores deste belíssimo local. Note to self: QUERO voltar rapidamente...

Prova Moscatéis José Maria da Fonseca

Prova Moscatéis José Maria da Fonseca

Para o Nuno não meter nojo a dizer que as provas são sempre no Norte, desta vez fui a uma prova relativamente perto da casa do Nuno - e ele, como está farto de provas, fugiu para o Norte.
Depois de passar por Lisboa, foi uma questão de fazer uns 50Km até Azeitão e encontrar-me alguns dos suspeitos do costume na Casa-Museu da José Maria da Fonseca para uma grande prova de Moscatéis. Foi muito interessante estar numa casa com perto de dois séculos (a JMF foi fundada em 1834), dona da marca Periquita (com cerca de 160 anos) e cujas sexta e sétima gerações estão aos comandos do seu destino.

Guardam orgulhosamente a primeira medalha conquistada, em Paris (1855) que lhes abriu as portas da exportação para todo o mundo, e têm um importante espólio de Moscatéis divididos em duas partes: antes e depois de 1910 (os mais antigos são de cerca de 1860), demonstrando que a empresa sobreviveu a dois sistemas políticos. A José Maria da Fonseca produz cerca de 15 milhões de litros de vinho por ano, com 4 linhas de engarrafamento que podem ir até às 30,000 garrafas por hora, e tem cerca de 750ha de vinha espalhadas por 5 regiões (ainda que a produção de algumas esteja reservada exclusivamente ao mercado estrangeiro).
A visita do Museu permitiu-nos conhecer mais um pouco da história desta Casa, como por exemplo a forma como é feito o Torna Viagem, um vinho que tem a particularidade de viajar pelo Mar (como aconteceu no passado, quando o vinho que voltava do Brasil apresentava características interessantes, ao contrário do que se esperava) no Navio-Escola Sagres.
Esta casa tem essencialmente 10 castas para os seus vinhos (que não se resumem aos Moscatéis): Fernão Pires, Arinto e Antão Vaz (utilizadas no BSE, por exemplo); Castelão, Trincadeira e Aragonês (Periquita), Touriga Nacional e Touriga Franca (que com o Castelão fazem o Periquita Reserva) e o Moscatel Alexandrino. É na Adega dos Teares Velhos que está meio milhão de litros de Moscatéis a envelhecer, alguns dos quais com mais de 100 anos, e com muita pena minha não me deixaram lá ficar uns minutos sozinho.....
Depois de passear pelos lindos jardins, fomos para uma sala de provas com uma ementa impressionante, iniciada com três Bastardinhos e continuando com os Moscatéis:

Bastardinho 2010
castanho claro, com muita fruta fresca, polpa doce, e adstrigência vincada; doçura excessiva que se torna enjoativa.
Ricardo: -

Bastardinho 2009
Violeta, bastante mais equilibrado e evoluído, a aguardente está mais bem casada, com uma secura interessante.
Ricardo: -

Bastardinho 30 Anos
Castanho dourado, com aromas de frutos secos (avelãs, nozes, amêndoas, mel) com maior persistência e um corpo mais consistente.
Ricardo: 15.5

DSF (Armagnac) Colecção Privada 1999
Aromas de laranja, chocolate, verniz e um pouco de tosta que parecem explodir no copo, resultando num excelente bouquet e grande elegância. Foi o preferido (em comparação com o seguinte) de alguns comparsas de prova); o chocolate é resultado do Armagnac, bastante aromático.
Ricardo: 17

DSF (Cognac) Colecção Privada 1999
Engarrafado pela primeira vez em 2011 (sairá para o mercado brevemente) com um perfil muito mineral, muito menos frutado e mais duro, com toques de amêndoa amarga.
Ricardo: 16.5

Moscatel de Setúbal 2006
Apresentou-se bastante turvo (elevada extracção de taninos pelo contacto prolongado com as películas), estabilizando pouco depois com a temperatura. Feito com aguardente neutra, tem aromas de flor de laranjeira, pêssego, laranja, fruta cristalizada e passas.
Ricardo: 14.5

Alambre 20 anos
Um moscatel de lote, um pouco mais escuro. Aromas a couro, melaço, passa, ameixas, nozes. Excelente acidez e frescura, macio e complexo. Claramente a melhor relação qualidade/preço.
Ricardo: 16.5

Moscatel Roxo 20 Anos
Bastante floral (rosas), muito mais doce (até no nariz se sente a doçura), mel e frutos secos. Bastante equilibrado.
Ricardo: 16.5

Moscatel de Setúbal 1973
Aromas de iodo, vinagrinho, amêndoas e nozes, torrado. Muito mais denso em tudo (aroma, cor, bom equilíbrio entre doçura e frescura), e muito untuoso.
Ricardo: 17

Moscatel de Setúbal 1967
Amêndoas, nozes, laranja cristalizada e torrado. Apesar da idade, excelente acidez e persistência.
Ricardo: 18

Moscatel de Setúbal 1952
Castanho esverdeado, com aromas semelhantes ao 1967 mas a boca não acompanha. Muito boa frescura, e untuosidade.
Ricardo: 17

Moscatel de Setúbal 1939
Este moscatel está num campeonato diferente dos anteriores, combinando as vantagens de todos os três anteriores com alguns toques de iodo, cogumelos, frescura e elegância ímpares. Os adjectivos acabaram antes da persistência....
Ricardo: 19

Pela organização da prova (o alinhamento e a ordem da prova), ficamos conhecedores do mundo dos Moscatéis, com um nível de atenção ao detalhe e qualidade difíceis de igualar. Pena que os quatro últimos não estão à venda....

Depois da prova, fomos de carro até às instalações da JMF para um almoço de luxo: Sopa de Ervilhas à Soares Franco; Bacalhau Dourado e Torta de Azeitão acompanhados com o Moscatel Roxo Rosé (floral intenso a rosas); o Pasmados Branco (combinou às mil maravilhas com o Bacalhau) e o Periquita Superior. Houve quem ainda fosse buscar o excelente Alambre 20 anos para acabar em beleza.

Prova Niepoort na Quinta de Nápoles

Prova Niepoort na Quinta de NápolesVoltámos à Quinta de Nápoles em meados de Setembro.
Desta vez, o motivo foi uma apresentação dos vinhos Niepoort para bloggers e alguns enófilos frequentadores de fóruns de discussão sobre vinhos. Como não podia deixar de ser, a recepção foi fantástica.
Tivemos finalmente oportunidade de conhecer algumas pessoas pessoalmente, que apenas conhecíamos virtualmente, e que partilham uma das nossas paixões: o vinho.
Já decorriam as vindimas, pelo que nos foi possível acompanhar alguns trabalhos como a recepção, selecção e desengace das uvas, fermentação em antigos lagares e cubas de fermentação de última geração.
Como habitual nas visitas à Quinta de Nápoles, começou por se percorrer a adega munidos de copos e cuspideiras especiais (baldes) para provar variados vinhos, que ainda se encontravam em estágio, e ainda alguns mostos.
Enquanto provávamos, falávamos sobre cada vinho detalhadamente, sendo sempre abordada a origem, as castas, o ano, o destino e data prevista de lançamento. Após provar, quem queria dava a sua opinião pessoal, independentemente de poder ser divergente com a do enólogo Luís Seabra ou de Dirk Niepoort.
De seguida, fomos para a sala de provas onde nos aguardava um interminável número de vinhos.
A prova foi feita ao gosto do freguês, provando um a um sem regras ou imposições.
Antes de passarmos ao almoço, Dirk Niepoort falou um pouco de todos os vinhos, contando algumas histórias e curiosidades acerca deles, que de outra forma nunca saberiamos.
Começámos a prova pelos brancos de 2008. A frescura do Tiara e a complexidade do Redoma e, especialmente, do Redoma reserva, estiveram ao nível das espectativas. No entanto, as atenções de toda a gente centraram-se no Navazos 2008, depois da polémica gerada no fórum da Revista de Vinhos. A opinião geral dos presentes foi contrária à de João Paulo Martins, pois aparentemente todos gostámos do vinho.
Quanto aos tintos 2007, de salientar a cada vez maior elegância dos vinhos quando comparados com alguns anos atrás, nomeadamente o Redoma e o Batuta, mas também o Charme, cuja extrema elegância deu até origem a uma discussão saudável entre o Dirk e alguns bloggers que o consideravam "demasiado elegante". Não podíamos deixar de falar no Robustus, que é pena a carteira não permitir comprar tanto quanto queria, e cujas futuras edições que provámos ainda em estágio estão a levar cada vez mais engaço. Como referiu o Pingus na altura, tem características que dão alguns ares de alguns vinhos mais antigos da Bairrada e do Dão.
O delicioso cabrito e sobremesa do almoço foram sempre devidamente acompanhados pelos vinhos à prova e ainda por algumas surpresas e raridades que iam aparecendo.
Devo dizer que no final desejei um belichezito, ou até mesmo uma tenda ou auto-caravana, como tinha sugerido ao Nuno para levar, e assim fazer uma soneca. Por outro lado, a melhor solução foi mesmo ficar num belo e confortável hotel, devido ao calor que se fazia sentir.
Foi também com imenso agrado que podemos verificar que a antiga adega já se encontra recuperada. Agora é a loja de vinhos, e devido à sua dimensão poderá ser perfeitamente uma sala multi-funções.
Muito obrigada à Niepoort por mais esta experiência, pela oportunidade de ficar a conhecer os seus vinhos e as suas histórias e, ainda, pelo convívio e partilha de ideias e opiniões.

Quarto aniversário da Sala Ogival, Porto

Quarto Aniversário da Sala Ogival do PortoHoje comemora-se o quarto aniversário da Sala Ogival do Porto, tendo a ViniPortugal organizado vários eventos ao longo do dia para celebrar esta data. Para além da prova de um número impressionante de vinhos, foi ainda possível provar azeites, chocolates e até mesmo beber um cocktail preparado na hora.
Como podem ver pelas fotografias, o público teve oportunidade de provar algumas dezenas de vinhos Portugueses - claro está - em exposição na consola central da Sala Ogival. Confesso no entanto que estive constantemente entre as duas salas: vinho na primeira, azeite e chocolates na segunda. Fiquei bastante impressionado com a quantidade de vinhos, bem como a qualidade e o cuidado com que o evento foi preparado.
Estive ainda a beber um cocktail de morango, framboesa, malagueta e moscatel que me deixou os lábios anestesiados, e que por coincidência só consegui resolver com uma fatia de bolo de chocolate e leite-creme. Durante a tarde ocorreram vários eventos para os visitantes (com reserva antecipada, pela natural limitação de lugares): como fazer cocktails à base de vinho; uma workshop "Porto Doce" onde se harmonizaram sobremesas do Chef. Américo Santos com Vinhos do Porto e uma workshop "Apaixonados por vinhos e cozinha Japonesa", a única a que consegui assistir.
Eu não sou o típico fã de cozinha Japonesa, diga-se em abono da verdade; é-me relativamente indiferente, e até há coisas que não me agradam. Ainda assim, decidi aceitar o desafio, e entrei no espírito de aprendizagem que, neste tipo de workshops, faz sentido. Esta workshop foi organizada com o apoio do conhecido restaurante Quarentae4, com o Sushiman Ruy Leão e o Escanção Manuel Moreira aos comandos.
Passamos por um Sunomono harmonizado com um espumante da Bairrada; um Sashimi ao molho ponzu com um Frei João Branco de 2009; um Sushi futomaki; Gunkanmaki de salmão braseado com Bastardo e Huramaki de morango a acabar com um Porto Rosé da Calém. Independentemente de gostar ou não da cozinha Japonesa apresentada - que foi muito bem executada (dito por quem percebe do assunto) pelo Sushiman - aprendi muito sobre esta cozinha, bem como as harmonizações possíveis. Congratulo também o Escanção que soube fugir ao fácil e seguro, e apresentou harmonizações diferentes, talvez não totalmente consensuais mas muito bem conseguidas.

A Sala Ogival e, por inerência, a ViniPortugal estão de parabens não só pelo aniversário mas pelo significativo papel na promoção de Portugal.

Quinta de Nápoles Magnum Party - Niepoort

Quinta de Nápoles Magnum PartyNa sequência de uma entrevista online no fórum da Nova Crítica, Dirk Niepoort decidiu organizar uma Magnum Party, dia 3 de Maio, na Quinta de Nápoles. Apenas foi feito um pedido, cada duas pessoas (ou uma) tinham de levar uma garrafa magnum de um vinho excepcional.
O número de pessoas cresceu de tal maneira, que acabou por se tornar num evento com 180 pessoas!
Pareceu-nos uma boa desculpa para ver como tinha ficado a nova adega e lá nos inscrevemos. De início o Ricardo também era para ir, mas entretanto acabou por desistir. Como bom amigo que sou, fiz o sacrifício de lhe enviar vários MMS com fotografias do evento, para ele se sentir presente.
O que não estávamos a contar era com a presença de mais de duas dezenas de produtores, espalhados pelos vários pisos da adega, a apresentar os seus vinhos! Desta forma, acabou por ser um 2 em 1. Conforme percorriamos os produtores, iamos visitando a adega nova. Os doces e os copos também marcaram a sua presença por intermédio da Santa Gula e da Riedel. Foi uma oportunidade única de provar alguns dos melhores vinhos que se fazem pelo país, bem como amostras de vinhos que ainda nem sequer foram engarrafados. Como era impossível provar tudo, acabámos por nos centrar mais nos vinhos que ainda não conheciamos.
Depois ainda veio o almoço. Um banquete ao nível de um casamento, com a vantagem de ser regado com o conteúdo das magnums levadas pelos participantes. O pessoal da Niepoort passou todo o almoço a esforçar-se para que estas se mantivessem a temperaturas correctas. Nem me lembro de ver o Dirk sentado...
Acho que não vale a pena alongarmo-nos muito mais, pois é complicado passar para texto tudo o que se passou neste dia que ficará na memória de todos os enófilos presentes.
Resta-nos agradecer ao Dirk por ter feito nascer este evento, à Gabriela Santos e Luís Seabra por mais uma vez nos terem recebido tão bem, a todos os restantes elementos da equipa Niepoort que tornaram este evento possível, a todos os produtores presentes, à Nova Crítica e, claro, a todos os participantes.

Vindouro - Festa do Vinho 2009

Vindouro - Festa do Vinho 2009Nesta altura de vindimas, são vários os eventos de vinho que vão decorrendo pelo país.
Um dos mais publicitados é o Vindouro - Festa do Vinho, em S. João da Pesqueira, que decorreu nos dias 28, 29 e 30 de Agosto. Já no ano passado estivemos para lá ir, mas não foi possível. Este ano, até pelo dinamismo da organização nas redes sociais, estivemos mais informados e deu para planear as coisas com antecedência.
O evento pode-se descrever resumidamente como tendo 2 partes distintas: Uma exterior, de festa mais tradicional, e uma interior onde estavam os expositores de vinho.
Como ficámos alojados em casa dos pais da Ema, na zona de Anadia, acabámos por ir cedo e chegámos mesmo no início do evento no Sábado. Por um lado foi bom, porque estava pouca gente, mas por outro estava no pico do calor e não se conseguia parar na rua.
Refugiámo-nos então no interior do centro de exposições a fazer umas provas. A nível de produtores, tendo em conta que é uma festa regional, estava bem composto. Alguns dos nomes mais conhecidos marcaram presença, mas também muitos nomes novos, o que é sempre bom para conhecer o que vai aparecendo. Estava à espera era de ver mais Vinho do Porto. O calor era muito, mesmo com os aparelhos de ar condicionado a soprar ar fresco com toda a força, pelo que praticamente só provámos brancos e rosés. Ainda provámos 2 ou 3 tintos, mas a temperatura dos vinhos estava difícil de controlar pelos produtores e estava-nos a custar beber.
Ainda dentro do edifício, decorreram naquele dia um mini-curso de prova e um concurso "A Escolha do Consumidor", que era uma prova cega para determinar os vinhos que os visitantes mais gostaram. Participámos nesta prova e, devo dizer, que gostei muito de alguns vinhos que não tinha tido coragem de provar no expositor, devido à imagem assustadora dos rótulos. Já não é a primeira vez que acontece - e alguns dos meus vinhos preferidos têm rótulos horrendos - mas no meio de várias coisas que não conhecemos, os olhos são os primeiros a "comer". Ainda há muitos produtores a descurar a imagem, e isso pode fazer toda a diferença numa prateleira.
O que tinha dado um jeito enorme eram uns sofás e umas mesas, como costuma haver em outros eventos com participação ou organização da Essência do Vinho, para fazer umas pausas de vez em quando. Como estávamos mesmo no centro da vila, contornámos a situação indo para um cafézinho próximo.
À volta do exterior do edifício do centro de exposições havia uma feira pombalina, com os expositores a vestir os trajes da época. Alguns animadores percorriam as ruas representando personagens das diversas classes sociais. O ponto alto do dia foi o leilão de vinhos, que decorreu num pequeno anfiteatro exterior, já a horas em que o calor já tinha abrandado um pouco e com a feira mais composta. Alguns Vinhos do Porto mais antigos deram direito a licitações bastante agitadas, com o leiloeiro (vestido a rigor), sempre a tentar puxar pelos licitadores até ao máximo.
E foi por essa altura, em que já sabia bem estar na rua, que tivemos que nos fazer às 2h de alcatrão que tínhamos para percorrer.
Para a próxima já sabemos que o melhor é ir mais pela fresquinha e ficar para a noite.

Vinho ao Vivo 2010

Vinho ao VivoDepois de uma semana de férias no Alentejo, com temperaturas entre os 42 e 47 graus, nada como passar por Lisboa para retemperar forças e repôr líquidos perdidos ao sol. Para minha surpresa, durante a tarde de quinta-feira a temperatura não estava muito diferente; ainda assim, o evento que os Goliardos organizaram para comemorar o 5º aniversário realizava-se a escassos metros do Tejo, o que poderia ajudar.

Decidimos chegar cedo na quinta-feira, e a entrada não podia ter sido mais rápida: boa ideia a dos copos emprestados com a possibilidade de os identificar e a do catálogo com as informações dos produtores presentes (está bonito, e tem as informações mais relevantes). O espaço (A Margem, mesmo em Belém) é bonito e arejado, mas numa primeira análise pareceu-me pequeno para comportar um evento deste tipo. Eram cerca de 19h, e o sol ainda batia forte nas mesas, vinho e produtores - os baldes de gelo pareciam nunca ser suficientes...
Depois de passar pelas mesas onde planeei trincar alguma coisa entre as provas de brancos e tintos, a área do exterior estava muito bem populada com produtores Portugueses, Franceses, Espanhóis e Italianos. Confesso que não conhecia alguns dos produtores, o que só é positivo - conhecer coisas novas e/ou diferentes é sempre importante.
Começando pela entrada, encontrei o João Rico (Niepoort / Projectos) castigado pelo sol, tentando desesperadamente manter temperaturas minimamente aceitáveis nas várias garrafas. Ainda que conheça relativamente bem a gama de vinhos da Niepoort, encontro sempre coisas desconhecidas nos Projectos - foi o caso dos Riesling que me impressionaram. Prosseguindo o roteiro dos brancos, e imediatamente a seguir, tive oportunidade de provar a evolução do Branco dos Cozinheiros (da Quinta dos Cozinheiros) que ainda não saiu para o mercado (promete!). Segundo o que percebi, o Branco dos Cozinheiros 2004 está com alguma dificuldade em ser escoado, ainda que esteja em belíssimas condições para consumo (curiosamente tinha aberto a minha última garrafa duas semanas antes, e na primeira oportunidade vou aproveitar para reforçar o stock cá em casa).
Passei depois para alguns produtores estrangeiros que desconhecia e que me surpreenderam: Clos Roche Blanche, com dois Sauvignon (nº2 e nº5); Domaine Gonon e Clos Thou, já a caminho de me preparar para experimentar as tapas d'A Margem, logo depois de voltar aos Portugueses Pellada e Alento. Ainda que com uma ementa limitada (até porque o espaço é curto), os sólidos leves e rápidos foram adequados para preparar a ronda dos tintos. Entretanto, o público começou a chegar e o espaço ficou mais composto; o sol tinha descido (ficou fresco e muito agradável), mas foi necessário depois montar luzes que trouxeram novamente algum calor para os produtores.
Chegaram entretanto o Nuno e a Ema (e o rebento, que se estreou nestes eventos, fruto de uma formação de base que os pais estão motivados para lhe dar) e enquanto eles começavam a ambientar-se eu avancei nas provas dos tintos. No que diz respeito aos produtores Portugueses, já conhecia a maior parte dos vinhos - Niepoort, Ramos Pinto (o Duas Quintas Reserva estava fenomenal), Quinta do Mouro (a acabar no Rótulo Dourado, passando por toda a gama apresentada, é desnecessário sublinhar a qualidade), Saes e Pellada, Quinta dos Cozinheiros e Quinta do Infantado (nuns bons 15 minutos de conversa aprendi muito) - que confirmaram a qualidade que lhes é reconhecida.
Passando para os estrangeiros, e já com pouca capacidade de provar em condições, não pude deixar de passar pelo J. Palacios e, já de saída (o puto do Nuno e da Ema ainda não consegue estar muito tempo fora de casa, no meio de barulho e das muitas pessoas que entretanto estavam já no evento), passei por toda a gama do produtor Italiano Roagna (o Barolo estava absolutamente impressionante, mas o Barbaresco estava também muito bom).

Embora não tenha tido oportunidade de o fazer, achei também muito interessante o facto de os Goliardos terem criado uma forma de o público comprar alguns dos vinhos a preços mais interessantes, entregando uma lista à saída. É este tipo de eventos, com pequenas (mas importantes) ideias como esta que fazem com que o público se aproxime cada vez mais deste mundo do vinho.
Já agora - abraço ao pessoal do Adegga, que tive a oportunidade de conhecer pela primeira vez, foi interessante até porque pudemos falar um pouco do restyling que tinha acontecido nos dias anteriores.

Vinhos do Alentejo no Casino 2009

Vinhos do Alentejo no CasinoO evento Vinhos do Alentejo no Casino decorreu nos dias 2 e 3 de Outubro no Salão Preto e Prata do Casino do Estoril. Como dia 2 calhou a uma sexta-feira, dia de trabalho, achámos melhor ir do dia 3. A lista de produtores presentes parecia demasiado interessante para fazer uma visita à pressa.
O espaço era bastante agradável, embora ligeiramente apertado para tantos produtores. No entanto, pelo menos no tempo em que lá estivemos, nunca encheu demasiado por isso nunca esteve demasiado intransitável.
Logo à entrada, encontrámos 2 dos elementos do Adegga. Infelizmente estavam de saída, pelo que não deu para trocar muitas impressões com eles, mas ainda deu tempo de nos apresentarem um produtor que não conhecíamos, o que é sempre bom nestes eventos. Aliás, desta vez foi o que mais fizemos. Passámos à frente praticamente todos os produtores que conhecemos melhor, aproveitando para provar o que não conhecíamos. Ainda por cima, ao contrário do que muitas vezes acontece nestes eventos, os topos de gama apareciam com frequência em cima das mesas. Tivemos muitas surpresas e confirmações, abrindo-nos os olhos para alguns vinhos aos quais vamos ter que começar a prestar mais atenção.
A nível de vinho, só temos a lamentar a dificuldade do costume com as temperaturas. Ainda por cima o espaço dos expositores era pequeno, mesmo que quisessem não havia grande forma de manter os vinhos a temperaturas decentes, a não ser com o balde de gelo.
Caso a fome aparecesse, estavam à venda umas tapas, a 1€ cada, salvo erro eleboradas pela equipa do Vitor Sobral. Boas, baratas e com um tamanho bastante decente.
Para fazer umas pausas, havia umas mesas com uns sofás bastante confortáveis nuns patamares superiores, de onde dava para ter uma visão privilegiada para toda a sala. O mais estranho foi quase não serem usadas.
Do ponto de vista de visitante, foi um evento bastante interessante, pelo que esperamos que se repita.

Vinipax 2009

Vinipax 2009No final do mês de Outubro realizou-se a 3ª edição da Vinipax no Parque de Feiras e Exposições de Beja.
A Vinipax é o maior evento de vinhos do Sul de Portugal, onde é possível degustar uma grande variedade de vinhos das regiões vitivinícolas do Tejo, Península de Setúbal, Alentejo e Algarve. Fizemos-nos ao caminho no sábado de manhã, de forma a chegar a Beja pela hora do almoço. Como nos disse um amigo de Beja, e com razão, devíamos-lhe ter ligado antes a pedir conselho!
Após almoço, dirigimos-nos ao Parque de Feiras e Exposições de Beja mesmo a tempo de assistir às III Jornadas de Enoturismo com o tema "O Enoturismo Sustentável". Com uma variada e interessante lista de oradores, foram apresentados alguns projectos de enoturismo, com abordagens diferentes entre si, e outros mais abrangentes que podem contribuir para o aumento do enoturismo. As jornadas terminaram com uma projecção de fotografias da autoria do fotógrafo brasileiro Gladstone Campos, de regiões vínicas de várias partes do Mundo, que terminava com fotos das regiões vitivinícolas portuguesas.
De seguida percorremos os expositores do evento, provando alguns vinhos que ainda não tínhamos tido oportunidade de provar este ano. Acabaram por nos acontecer algumas coisas curiosas durante essa procura de novidades. A mais engraçada acabou por ser encontrar um colega de trabalho da parte de trás do expositor, o que não é nada normal tendo em conta que trabalhamos numa empresas de telecomunicações. Já trabalhamos na mesma empresa há vários anos e nem nós fazíamos ideia que ele era produtor, nem ele que nós éramos grandes apreciadores de vinho. Outra surpresa agradável foi a existência de cada vez mais produtores de qualidade no Algarve, tendo alguns vinhos algarvios ficado na memória como algumas das coisas mais interessantes que provámos no evento.
Obviamente que acabam sempre por haver produtores bem nossos conhecidos que voltamos a visitar, até pela relação de amizade que temos com alguns e pela qualidade de alguns vinhos que nunca é demais voltar a provar.Terminámos a visita à Vinipax de forma improvável, embora bem típica de uma feira, a comer uma bifana numa rulote*. Smile


*Aprendi agora que há palavra portuguesa para roulotte.